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Empreender

Tendências de consumo para 2026 mudam a estratégia de varejo e serviços

O consumo em 2026 entra em um ciclo em que as pessoas passam a cobrar coerência entre o que as marcas comunicam e o que entregam, e isso altera decisões de compra no varejo e nos serviços, do atendimento no balcão ao pós-venda e à presença digital. Em um cenário de orçamento mais pressionado e excesso de estímulos online, a escolha tende a ir para o que resolve um problema real, reduz fricção e mantém uma relação clara com o cliente — um movimento que abre espaço para pequenos negócios por proximidade e capacidade de ajuste rápido.

A virada começa pelo foco no ser humano e no comportamento real do consumidor. Em vez de vender um produto “isolado”, empresas passam a redesenhar oferta e jornada pensando em fases da vida, acessibilidade, linguagem clara, escuta ativa e participação do cliente no desenvolvimento de soluções, com co-criação e feedback como rotina. Essa lógica aparece como resposta a mudanças demográficas e sociais e à busca por bem-estar emocional, o que empurra varejo e serviços para experiências com menos ruído e mais utilidade.

A confiança vira um critério central e mexe com a forma de comunicar. Transparência sobre preço, origem, prazos, limitações, fornecedores e processos tende a pesar mais do que promessas genéricas; bastidores e rotina do negócio entram como prova de como as coisas funcionam. Em orientação ao pequeno empreendedor, o consultor Alexandre Giraldi, do Sebrae, descreve um caminho de comunicação baseado em mostrar “a rotina real” e “como as coisas acontecem de verdade”, usando história e equipe como elementos de identificação com o público.

A tecnologia entra nesse pacote, mas com regra: automação para tirar tarefas repetitivas do caminho e liberar tempo para o atendimento. A leitura para 2026 é de uso de inteligência artificial com transparência sobre dados e com combinação de automação e contato humano quando necessário, aplicando IA para organizar processos, criar conteúdos e apoiar personalização sem depender de investimento alto. Essa direção aparece tanto em recomendações para pequenos negócios quanto no debate do varejo em escala, que projeta a IA saindo do piloto e indo para operação, marketing e eficiência, com pressão por disciplina operacional.

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A busca por valor passa a ser mais ampla do que “preço baixo”. No varejo, valor tende a somar conveniência, confiança, qualidade percebida e experiência; isso empurra empresas para sortimento mais enxuto e útil, serviços de reparo e pós-venda, programas de fidelização e consistência entre canais. Em projeção para 2026, estudo da Deloitte aponta que essa percepção de valor pode influenciar uma parcela relevante da decisão de compra, e que estratégias como omnicanalidade, fidelização e personalização entram como ferramentas de competição.

Ao mesmo tempo, as despesas essenciais ganham prioridade no orçamento e comprimem categorias discricionárias. Uma leitura global da NielsenIQ para 2026 aponta intenção de manter o foco em itens “não negociáveis” (moradia, saúde, educação, contas básicas), com consumo mais seletivo em gastos fora de casa e em parte do que era considerado “extra” no carrinho. Para varejo e serviços, isso costuma significar menos tolerância a erro, mais comparação e mais abandono quando entrega, troca e política de devolução não funcionam.

Essa seletividade aparece também no digital. Na América Latina, a expectativa é de continuidade do crescimento do comércio eletrônico em 2026, puxado por smartphone, com consumidor cobrando entrega rápida, preço claro e regras objetivas de logística reversa — e com menor paciência para experiências ruins, o que fragiliza lealdade a plataformas e marcas quando a operação falha.

Sustentabilidade segue como tema, mas muda de lugar: sai do discurso e vai para prática observável. Em vez de campanhas genéricas, entram ações que o cliente consegue ver e medir no dia a dia — redução de desperdício, embalagem reutilizável, cadeias curtas, refil, recompras, reaproveitamento de resíduos e escolhas de fornecedores. Para negócios locais, isso se conecta com custo e operação (menos perda, mais eficiência) e com reputação (clareza do impacto real).

Outra tendência é a migração do descartável para o durável, com menos excesso e mais vida útil. No varejo, isso abre oportunidades para linhas multifuncionais, garantia e manutenção; em serviços, cresce espaço para conserto, ajuste, personalização e assinatura. O efeito prático é deslocar parte do faturamento de “uma compra” para “relação”, com pós-venda e recorrência como estratégia.

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No ponto de venda e na entrega do serviço, a experiência ganha peso como produto. Ambientes e jornadas que organizam tempo, reduzem fila, facilitam pagamento e criam conforto sensorial (som, cheiro, organização, acolhimento) entram como diferencial, principalmente quando o consumidor está cansado de estímulos digitais e busca pausas. Na lista de tendências trabalhada pelo Sebrae em São Paulo, a orientação inclui perguntar como o cliente se sente ao contato com a marca, tanto no físico quanto no digital.

Para quem vende em 2026, a pauta central não é “seguir moda”, e sim ajustar oferta, atendimento e comunicação para um consumidor mais seletivo, que prioriza valor percebido e quer clareza. Isso passa por escuta ativa, transparência, automação com critério, sustentabilidade aplicada na operação, produtos mais duráveis e experiências sem fricção — com foco em manter o cliente por recorrência, não apenas por promoção.