O governo do Acre iniciou a nova fase do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) na modalidade Indígena, com um aporte de R$ 1,2 milhão destinado ao fortalecimento da produção agrícola em terras tradicionais. A iniciativa, realizada por meio de convênio com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, assegura a compra direta de itens produzidos por 118 agricultores familiares de diversas etnias. O foco central é garantir que o excedente das colheitas seja redirecionado para o combate à fome dentro das próprias comunidades e em áreas urbanas vizinhas.
A logística de escoamento e a assistência técnica ficam sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri) e da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASD). Entre os itens adquiridos figuram a farinha, macaxeira, banana, peixes e frutas regionais, que compõem a base da dieta local e movimentam a economia interna das aldeias. Essa estrutura permite que o produtor indígena acesse o mercado institucional sem a necessidade de intermediários, recebendo o pagamento integral pelo que é cultivado na floresta.
“A execução desta etapa do PAA Indígena possibilita que os recursos cheguem diretamente às mãos das famílias produtoras, ao mesmo tempo em que protegemos as populações em maior risco nutricional”, afirma a secretária de Assistência Social, Maria Zilmar Rocha. A gestão estadual trabalha para que a entrega dos mantimentos ocorra com agilidade, respeitando a sazonalidade dos produtos e as particularidades geográficas das regiões de difícil acesso no interior acreano.
A consolidação do programa também reflete na preservação ambiental e na valorização dos costumes, uma vez que o cultivo prioriza sistemas agroflorestais típicos da região. Com a regularização documental e o apoio técnico oferecidos, os agricultores passam a ter maior capacidade de planejamento para as próximas safras, criando um ciclo de sustentabilidade que reduz a dependência de insumos externos e fortalece a autonomia dos povos originários.
O impacto esperado para os próximos meses é a redução imediata da insegurança alimentar nas terras beneficiadas. Ao estabelecer uma rede de proteção social baseada na produção própria, o estado busca consolidar um modelo de desenvolvimento que une geração de renda, saúde pública e manutenção da floresta em pé, servindo como estratégia contínua para o bem-estar das comunidades tradicionais do Acre.