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Empreender

Pequenos negócios usam produtos regionais para ampliar vendas e conectar clientes às suas origens

Pequenos negócios de alimentação e comércio especializado em produtos regionais têm utilizado iniciativas baseadas na cultura alimentar como estratégia para ampliar vendas, alcançar novos públicos e manter vínculos com clientes que vivem fora de seus locais de origem, aproveitando momentos simbólicos do calendário como oportunidades comerciais, segundo levantamento e exemplos reunidos pelo Sebrae.

Empreendimentos que trabalham com culinária típica e produtos artesanais têm encontrado na valorização de receitas, ingredientes e modos de preparo regionais um caminho para diferenciar seus negócios em mercados urbanos e turísticos. A estratégia se apoia na oferta de experiências ligadas à memória alimentar, ao consumo de produtos associados à terra natal e à circulação desses itens para outras regiões do país e do exterior, criando uma relação direta entre identidade cultural e atividade econômica.

Em Pirenópolis, em Goiás, o restaurante Tucupi do Tacacá foi estruturado a partir da culinária do Norte do país e da trajetória de seus proprietários, que têm origem em Belém, no Pará. O negócio surgiu da decisão de compartilhar pratos tradicionais amazônicos com moradores e turistas, incorporando ao atendimento informações sobre a origem dos ingredientes e a história de cada receita. “Nosso propósito é oferecer uma experiência que vai além da refeição”, afirma Janine, proprietária do restaurante, ao explicar que o modelo adotado busca integrar sabor, cultura e narrativa gastronômica.

Segundo a empreendedora, a consolidação do negócio também foi acompanhada por melhorias logísticas, como maior disponibilidade de insumos e redução no tempo de reposição de estoque, fatores que contribuíram para a sustentabilidade da operação. A proposta adotada pelo restaurante passou a atrair não apenas consumidores em busca de alimentação, mas também pessoas interessadas em produtos ligados à culinária amazônica e à sua história.

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No Rio de Janeiro, outro exemplo citado é o Armazém Nordestino, localizado na Feira de São Cristóvão, espaço tradicional de referência da cultura nordestina na capital fluminense. O empreendimento começou há cerca de dez anos com a venda informal de castanhas de caju originárias de Jacaraú, na Paraíba, cidade natal de um dos proprietários, e evoluiu para uma loja que reúne mais de 300 itens de diferentes estados do Nordeste. “A demanda foi aumentando e mais de 200 famílias de Jacaraú passaram a fornecer para nós em sistema de cooperação”, relata Luiz, um dos empreendedores.

Atualmente, além do atendimento presencial, o Armazém Nordestino comercializa produtos pela internet e realiza envios para outros países, atendendo tanto consumidores individuais quanto empresas. De acordo com os proprietários, grande parte do público é formada por nordestinos que vivem fora de seus estados de origem e buscam produtos associados a hábitos alimentares da infância, o que sustenta uma base recorrente de clientes.

O Sebrae aponta que iniciativas desse tipo se beneficiam do uso estratégico de datas e ações temáticas, mas ressalta que o principal diferencial está na organização do negócio em torno da cultura regional, do fortalecimento da cadeia de fornecedores locais e da adaptação dos canais de venda. Ao transformar referências culturais em produtos e serviços, pequenos empreendimentos conseguem ampliar mercados, gerar renda e manter vínculos econômicos com territórios de origem, mesmo quando operam em outras regiões do país ou no exterior.

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