O fim do ano tem se consolidado como um período estratégico para que empresas revisem rumos, avaliem resultados e organizem decisões para o ciclo seguinte, segundo orientações do Sebrae. A recomendação parte da avaliação de que a transição entre um período e outro oferece condições para analisar dados, corrigir falhas e estruturar metas com base em informações concretas, evitando decisões tomadas apenas por percepção ou urgência.
A orientação é sustentada por experiências práticas de empreendedores que passaram por processos de reorganização a partir do planejamento formal. Um dos exemplos citados é o da marca de moda agênero Fala, criada pelas empresárias Luciana Celestino e Aline Fregne, em São Paulo. Antes de abrir o novo negócio, as duas mantiveram por anos um salão de beleza e, durante esse período, testaram a viabilidade da nova atividade, incluindo a comercialização de roupas no mesmo CNPJ. A mudança definitiva ocorreu após contato com metodologias de planejamento apresentadas em ações do Sebrae, como a Feira do Empreendedor, quando decidiram estruturar o negócio a partir de ferramentas de gestão, cursos e mentorias.
Segundo Luciana Celestino, o período de preparação foi decisivo para a abertura formal da empresa. “Montamos o plano de negócios e passamos oito meses nos preparando para fazer o nosso negócio acontecer de verdade”, afirmou. Hoje, a marca conta com equipe fixa, oficinas terceirizadas e presença consolidada nas redes digitais, resultado de decisões tomadas com base em planejamento e organização financeira.
De acordo com o gerente de Atendimento e Relacionamento com o Cliente do Sebrae Nacional, Enio Pinto, o planejamento estratégico funciona como a definição de um caminho entre a situação atual da empresa e o ponto onde ela pretende chegar. “O planejamento é o passo a passo necessário, com os recursos certos, para que essa transição aconteça de forma consistente”, explicou. Para ele, o fim do ano é um momento adequado para revisar esse processo, pois permite analisar o desempenho recente e ajustar estratégias para o futuro imediato.
Entre as ferramentas indicadas está o plano de negócios, que organiza decisões a partir de dados e reduz riscos. Enio destaca que esse instrumento deve considerar, de forma integrada, o mercado, a equipe e as finanças. No eixo de mercado, a orientação é identificar quem são os clientes, fornecedores e concorrentes, além de compreender o posicionamento do negócio. “Não adianta saber para quem vender se você não sabe de quem comprar, nem entender seu posicionamento frente a quem já está no mercado”, disse.
No aspecto relacionado à equipe, o planejamento envolve definir quem são as pessoas necessárias para executar o plano, quais perfis e experiências são exigidos e qual o dimensionamento adequado do time para o ritmo de crescimento esperado. Já no campo financeiro, o fluxo de caixa aparece como instrumento central para antecipar cenários. “É a bola de cristal do empreendedor”, afirmou Enio Pinto, ao explicar que o controle financeiro permite prever momentos de falta ou sobra de recursos e tomar decisões com antecedência.
A expectativa do Sebrae é que a adoção do planejamento estratégico contribua para a sustentabilidade dos negócios, especialmente entre micro e pequenas empresas, que concentram grande parte da atividade econômica no país. Além de orientar decisões internas, o planejamento tende a reduzir impactos de imprevistos e a ampliar a capacidade de adaptação das empresas diante de mudanças no mercado ao longo do próximo ano.