Os 22 municípios do Acre estão incluídos no monitoramento da plataforma Alerta-Secas, ferramenta do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) que acompanha a evolução da estiagem no país. O sistema cruza dados de chuva, umidade do solo e condições da vegetação para medir a intensidade da seca e auxiliar ações de prevenção diante da previsão de um período mais seco na Região Norte.
A ferramenta usa o Índice Integrado de Secas (IIS) e permite consultar a situação dos 5.570 municípios brasileiros. O acompanhamento considera o déficit de precipitação, a quantidade de água disponível no solo e as condições da vegetação, além de manter dados históricos que permitem comparar a evolução do cenário em cada localidade.
O sistema também calcula o percentual das áreas agroprodutivas potencialmente afetadas pela falta de chuva. As informações podem ser usadas por órgãos públicos, defesas civis, produtores rurais e setores ligados à agricultura para planejar medidas de prevenção e reduzir prejuízos provocados por períodos prolongados de estiagem.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou durante entrevista concedida na sexta-feira, 18, que o monitoramento concentra atenção especial nas áreas mais vulneráveis. Entre os territórios que podem ser acompanhados estão regiões de agricultura familiar, terras indígenas, assentamentos rurais e unidades de conservação, além de localidades onde a redução da disponibilidade de água pode afetar comunidades e atividades produtivas.
O cenário climático amplia a preocupação para os próximos meses. O terceiro boletim do Painel El Niño 2026-2027 aponta probabilidade superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte entre setembro e novembro. As projeções também apontam tendência de chuvas abaixo da média nas regiões Norte e Nordeste, enquanto as temperaturas devem permanecer acima da média em grande parte do país.
A combinação de calor e redução das chuvas pode prolongar a estiagem, aumentar o déficit hídrico e deixar a vegetação mais vulnerável a incêndios florestais. Na Amazônia, o período entre setembro e novembro normalmente marca a transição da estação seca para a chuvosa, mas um El Niño intenso pode atrasar esse processo.
O boletim mais recente do Cemaden, com dados de agosto, registrou 153 municípios brasileiros em situação de seca severa, 557 em seca moderada e quatro em seca extrema. O acompanhamento federal também inclui previsões de vazões dos rios e avaliações dos impactos da falta de chuva sobre a vegetação e a agricultura.
No Acre, onde períodos recentes de seca já provocaram redução dos níveis dos rios, aumento das queimadas e problemas de abastecimento em algumas localidades, o monitoramento dos indicadores permite acompanhar mudanças nas condições climáticas e orientar medidas antes do agravamento dos impactos.