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Política

Fuga para os EUA amplia isolamento de Flávio Bolsonaro e provoca reação de aliados da direita

A decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de deixar o Brasil após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais ampliou seu isolamento político. Partidos que apoiaram sua candidatura e lideranças da direita passaram a reconhecer publicamente o resultado das urnas e a rejeitar a tentativa do parlamentar de contestar a eleição sem apresentar provas de fraude.

A reação ganhou força depois que Flávio chegou aos Estados Unidos, na quarta-feira (28), e divulgou uma carta na qual chegou a se apresentar como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Em versões posteriores, a expressão foi substituída por “líder do Brasil”. O senador também anunciou que pretende comandar a oposição ao governo Lula a partir do território norte-americano.

O União Brasil, que integrou a base de apoio à candidatura de Flávio, divulgou uma nota assinada por seu presidente nacional, Antonio Rueda, reconhecendo a legitimidade da eleição de 25 de outubro. A legenda afirmou que o respeito à decisão dos eleitores é indispensável à democracia.

O MDB também reafirmou sua confiança no sistema eleitoral brasileiro. Até mesmo o PL, partido de Flávio Bolsonaro, reconheceu oficialmente a vitória de Lula. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial do candidato derrotado, admitiu que não existem provas de fraude na votação.

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Entre as principais lideranças da direita, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu o encerramento da disputa eleitoral e a reorganização da oposição dentro das regras democráticas.

“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente”, afirmou Tarcísio, ao defender o respeito ao resultado das urnas.

O distanciamento também chegou a setores religiosos próximos ao bolsonarismo. O bispo JB Carvalho, líder da Comunidade das Nações, igreja frequentada por Flávio, publicou uma mensagem reconhecendo o encerramento da disputa. “As eleições terminaram. Não tem terceiro turno. Vida que segue!”, escreveu.

O ex-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) também criticou a permanência de Flávio nos Estados Unidos. Ele questionou a decisão de conduzir a oposição brasileira do exterior e afirmou que a estratégia não oferece benefícios ao país.

Além da perda de apoio político, Flávio enfrenta problemas judiciais. A Polícia Federal investiga as circunstâncias de sua saída do Brasil, ocorrida após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o parlamentar de deixar o território nacional e ordenou a entrega de seus passaportes.

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Os documentos foram cancelados depois do descumprimento da ordem judicial. O senador também é investigado em inquéritos que envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro e outras irregularidades, negadas por ele.

Com Lula reeleito e o resultado reconhecido por seus próprios aliados, Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para manter a liderança política que pretendia exercer após a eleição. A tentativa de contestar o pleito e organizar a oposição a partir dos Estados Unidos encontrou resistência até entre setores que estiveram ao seu lado durante a campanha presidencial.