Organizações ambientalistas e representantes de organismos internacionais receberam positivamente, nesta terça-feira (3), em Brasília, os dois mapas do caminho apresentados pela presidência brasileira da COP30. Os documentos propõem estratégias para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e combater o desmatamento e a degradação das florestas em escala global.
As propostas buscam transformar compromissos internacionais sobre mudanças climáticas em ações concretas. A iniciativa foi apresentada a poucos dias da COP31, que será realizada entre 9 e 20 de novembro, em Antália, na Turquia.
Para Claudio Providas, representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) no Brasil, os documentos representam uma contribuição ao esforço internacional de enfrentamento da crise climática. Na avaliação dele, o Brasil oferece alternativas para colocar em prática decisões já negociadas, sem necessidade de reabrir discussões sobre compromissos assumidos anteriormente.
O especialista em transição energética do WWF-Brasil, Ricardo Fujii, considera que o país reúne condições favoráveis para avançar na substituição dos combustíveis fósseis. Ele cita a diversidade da matriz energética brasileira, que conta com fontes como hidrelétrica, solar, eólica, biomassa e biocombustíveis.
Para Fujii, ampliar a participação dessas fontes também pode fortalecer a economia, gerar empregos e estimular o desenvolvimento regional.
A líder de política internacional do Observatório do Clima, Stela Herschmann, avalia que o documento sobre combustíveis fósseis oferece alternativas para enfrentar um dos principais desafios da agenda ambiental. Segundo ela, cada país precisa avaliar sua realidade energética e econômica para começar a executar as medidas necessárias.
A diretora-executiva do Greenpeace Brasil, Carolina Pasquali, também recebeu positivamente a proposta voltada à proteção florestal. Ela considera que a experiência brasileira na redução do desmatamento pode contribuir para mobilizar outros países.
Carolina, entretanto, defende que a iniciativa seja acompanhada de mecanismos capazes de garantir resultados efetivos. Para ela, a participação da sociedade civil, especialmente dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, será fundamental para o sucesso das medidas.
A ex-ministra do Meio Ambiente e deputada federal Marina Silva também defendeu a importância dos instrumentos apresentados pelo Brasil. Ela lembrou que os acordos ambientais internacionais construídos desde a Conferência Rio-92 contribuíram para modificar as projeções de aquecimento global.
Marina afirmou que os esforços internacionais ajudaram a reduzir as projeções de aumento da temperatura média do planeta, embora o mundo ainda esteja distante do limite de 1,5 °C considerado necessário para evitar impactos climáticos mais graves.
A parlamentar também apontou a redução do desmatamento brasileiro como uma contribuição para o enfrentamento da crise ambiental global.
Os mapas apresentados pela presidência brasileira da COP30 não estabelecem uma estratégia única para todos os países. A proposta é que cada nação faça um diagnóstico de suas condições, identifique os principais obstáculos e adote políticas compatíveis com sua realidade.
Na área florestal, as orientações incluem conservação, recuperação de áreas degradadas, manejo sustentável e incentivo à bioeconomia. Na transição energética, o foco está na ampliação das fontes renováveis, na eficiência energética e na redução gradual da dependência de petróleo, carvão e gás natural.
O desafio agora será transformar as orientações em políticas públicas, investimentos e compromissos nacionais capazes de produzir resultados mensuráveis no combate às mudanças climáticas.