As paratletas acreanas Ana Rafaela Oliveira e Isabelly Victoria Gonçalves conquistaram medalhas de ouro nas Paralimpíadas Escolares realizadas em novembro, em São Paulo, após participarem da competição com apoio do governo do Acre, que garantiu transporte e custeio das despesas para a delegação. As duas jovens competiram em modalidades distintas e representaram o estado entre estudantes de várias regiões do país.
Ana Rafaela, de 11 anos, acumulou três medalhas de ouro nas provas de 100 metros, 60 metros e salto em distância. A atleta já soma nove medalhas na trajetória esportiva. Ela afirmou que pensou na família durante as provas e declarou: “Foi muito bom vencer. Fiquei muito feliz. Pensei muito na minha mãe, no meu pai e em toda a minha família. Essa vitória foi para eles”. A mãe, Priscila Oliveira, relatou que a filha apresentou progresso desde o início dos treinos e disse que a ida a São Paulo provocou expectativa e emoção em casa. “Quando ela soube que ia para São Paulo participar dessa competição chorou muitas vezes, pensando que não tinha condições de vencer. Todos ficamos felizes quando recebemos a notícia do primeiro lugar”, afirmou.
Isabelly Victoria, de 12 anos, obteve o bicampeonato na bocha paralímpica, categoria BC3, encerrando o segundo ano consecutivo sem derrotas. A atleta nasceu após uma gestação trigemelar e enfrenta sequelas decorrentes do parto, acompanhando rotina de terapias e tratamentos desde a infância. A mãe, Francisleide Gonçalves, relatou que cada avanço representa um marco importante na vida da filha. “Ver minha filha superar desafios, conquistar autonomia e encontrar um espaço onde pode mostrar suas habilidades tem um peso de grande vitória. Ser bicampeã invicta por dois anos consecutivos, diante das diferenças em relação aos equipamentos das adversárias, é algo surreal”, disse.
Isabelly é não verbal e utiliza outras formas de comunicação nos treinos e competições, o que exige acompanhamento contínuo da equipe e da família. De acordo com Francisleide, o esporte tem contribuído para o desenvolvimento da atleta. “Cada nova vitória traz a sensação de alívio de estar no caminho certo, de que valeu a pena cada esforço, e é algo que só quem acompanha de perto sabe”, completou.