Aos 24 anos, Muru Inu Bake, nome indígena de Clécio Ferreira Nunes, assumiu o cargo de professor federal no Instituto Federal do Acre, no campus de Cruzeiro do Sul, e passou a integrar um grupo ainda raro de docentes indígenas na rede pública federal do estado. Formado em Letras Inglês pela Universidade Federal do Acre, ele chegou à instituição em meio a um cenário de baixa presença de povos originários em cargos de docência e transformou a nomeação em um marco de representatividade no ensino.
A entrada de Muru no Ifac amplia a presença indígena em espaços historicamente ocupados por não indígenas e reforça a discussão sobre pluralidade dentro das instituições públicas de ensino. Ao comentar o início da trajetória como docente, ele resumiu o significado da nova etapa: “Não falo só como docente, falo como sujeito Huni Kuĩ indígena”. A declaração dá o tom de uma atuação que ultrapassa a sala de aula e alcança também o campo da identidade, da permanência e da visibilidade dos povos originários na educação.
No campus de Cruzeiro do Sul, ele assumiu aulas de inglês e passou a adotar estratégias mais participativas para aproximar os estudantes do conteúdo, com o uso de dinâmicas e jogos em sala. A experiência no ensino se soma à trajetória acadêmica que ele mantém na pós-graduação. Atualmente, Muru cursa mestrado em Letras, com pesquisa voltada para línguas e literaturas indígenas brasileiras contemporâneas.
A nomeação também tem peso simbólico por romper uma ausência que marcou a formação de muitos estudantes indígenas no Acre. Em um estado com forte presença de povos originários, a chegada de professores indígenas à rede federal ajuda a mudar o perfil de quem ensina, pesquisa e produz conhecimento. Mais do que ocupar uma vaga, Muru passa a representar uma mudança concreta no espaço acadêmico e educacional acreano.