O governo do Acre assinou nesta sexta-feira (13) a ordem de serviço de R$ 2 milhões para a construção de oito poços artesianos em aldeias da Terra Indígena Cabeceira do Rio Acre, em Assis Brasil, na fronteira com o Peru. A medida busca garantir água potável para comunidades indígenas afetadas pela seca severa e pela estiagem prolongada, dentro do pacote de ações estaduais voltadas ao enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas.
A ordem de serviço foi assinada pela vice-governadora Mailza Assis durante cerimônia no município, com participação de lideranças indígenas e autoridades locais. Segundo o governo, a obra deve beneficiar cerca de 1.250 famílias indígenas, o equivalente a mais de 5,2 mil pessoas, e será coordenada pela Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi), responsável por conduzir as ações de segurança hídrica em áreas consideradas mais vulneráveis.
Durante o ato, Mailza afirmou que a oferta regular de água potável é parte central das políticas públicas para reduzir riscos à saúde nas aldeias. “O acesso à água é um direito básico e fundamental. Essa ação representa cuidado com a vida das pessoas e respeito aos povos indígenas que vivem nessas regiões. Estamos trabalhando para garantir melhores condições de vida para essas comunidades”, disse.
A secretária extraordinária dos Povos Indígenas, Francisca Arara, disse que a perfuração dos poços atende uma demanda antiga das comunidades e foi discutida desde 2023, quando equipes do governo estiveram em Assis Brasil para ouvir as necessidades locais, incluindo segurança alimentar. “Estamos vivendo um momento de mudanças climáticas e precisamos nos preparar para períodos de seca cada vez mais severos. Esses poços vão atender oito comunidades e já temos planejamento para levar essa ação também para outras regiões do estado”, afirmou.
Os poços serão construídos nas aldeias Nova União, Maria Montesa, Três Cachoeiras, Ananás, Liberdade, Vida Nova, Morada Nova e Apuí, todas na Terra Indígena Cabeceira do Rio Acre. O atendimento é voltado ao povo Jaminawa e inclui áreas onde vivem grupos indígenas em isolamento voluntário na cabeceira do Rio Acre, em uma região sensível por estar na faixa de fronteira entre Brasil e Peru.
O prefeito Jerry Correia disse que a obra amplia a capacidade de atendimento em áreas isoladas e reforça a cooperação entre Estado e município. “A água é um bem essencial e esse investimento do governo do Estado vai garantir mais saúde, dignidade e qualidade de vida para as famílias indígenas que vivem nessas aldeias”, afirmou.
Para as lideranças indígenas, o projeto é tratado como resposta direta a um problema cotidiano nas aldeias durante a estiagem. Santos Raimundo Jaminawa, presidente da Associação Nuku, que representa 11 aldeias em Assis Brasil, disse que a obra encerra uma espera de anos. “Esses oito poços são um grande alívio para as nossas comunidades. Esperamos há muitos anos por essa melhoria. A água é essencial para beber, para produzir e para cuidar das nossas famílias. Tenho certeza de que esse investimento vai trazer mais saúde e qualidade de vida para o nosso povo”, afirmou.
Homologada em 1998, a Terra Indígena Cabeceira do Rio Acre fica em Assis Brasil, é habitada pelo povo Jaminawa e abriga também grupos em isolamento voluntário, sendo considerada estratégica para a proteção desses povos na fronteira entre Brasil e Peru. Com a ordem de serviço assinada, a expectativa é que a obra reduza a dependência de fontes superficiais em períodos de seca, com impacto direto na prevenção de doenças e na rotina das famílias em áreas remotas.