Connect with us

Economia e Industria

Juros médios para famílias chegam a 60,1% ao ano em 2025, aponta Banco Central

Os juros médios cobrados das famílias brasileiras subiram em 2025 e encerraram o ano em 60,1% ao ano, segundo dados das Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central em janeiro de 2026, em Brasília, refletindo o avanço das taxas em modalidades de crédito com maior custo, como o cartão de crédito rotativo e o crédito pessoal não consignado.

De acordo com o levantamento, a taxa média para as famílias aumentou 7 pontos percentuais ao longo de 2025. O principal fator apontado foi a maior participação do cartão de crédito rotativo na carteira de crédito, modalidade que segue com os juros mais elevados do sistema financeiro. Mesmo com recuo de 13,6 pontos percentuais no acumulado do ano, a taxa média do rotativo chegou a 438% ao ano em dezembro. A limitação para cobrança dos juros do rotativo, em vigor desde janeiro de 2024, não alterou as taxas pactuadas nos contratos, o que explica a manutenção de patamares elevados.

O crédito rotativo é acionado quando o consumidor paga menos que o valor integral da fatura do cartão de crédito, permanecendo por até 30 dias nessa condição. Após esse período, as instituições financeiras realizam o parcelamento da dívida, modalidade que também registrou alta significativa em 2025. Os juros do cartão parcelado aumentaram 17,9 pontos percentuais no ano, alcançando 189% ao ano. O crédito pessoal não consignado seguiu a mesma tendência, com elevação de 13,4 pontos percentuais, encerrando o ano com taxa média de 116,8% ao ano.

No segmento das empresas, a taxa média de juros ficou em 25% ao ano no fim de 2025, com acréscimo de 3,3 pontos percentuais no período. As maiores altas ocorreram nas operações de capital de giro com prazo de até 365 dias, que chegaram a 50,3% ao ano, e no cheque especial, cuja taxa atingiu 355,7% ao ano. Esses percentuais referem-se ao crédito livre, no qual os bancos definem livremente as condições. Já no crédito direcionado, com regras definidas pelo governo, as taxas permaneceram menores, encerrando 2025 em 11,2% ao ano para pessoas físicas e 12,2% ao ano para empresas.

Advertisement

Considerando recursos livres e direcionados, a taxa média geral de juros das concessões de crédito para famílias e empresas chegou a 32,4% ao ano em dezembro de 2025, após aumento de 3,9 pontos percentuais no ano. O Banco Central relaciona esse movimento ao ciclo de elevação da taxa básica de juros, a Selic, fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária. Segundo a autoridade monetária, a alta da Selic busca conter a inflação ao reduzir a demanda por crédito e estimular a poupança.

O spread bancário, que mede a diferença entre o custo de captação dos bancos e as taxas cobradas dos clientes, situou-se em 21,4 pontos percentuais em 2025, com aumento de 3,9 pontos percentuais em relação ao ano anterior. No mesmo período, as concessões de crédito somaram R$ 786,4 bilhões, crescimento de 9,1%, abaixo do avanço registrado em 2024. O estoque total de crédito do Sistema Financeiro Nacional alcançou R$ 7,122 trilhões, com expansão de 10,2% no ano.

Os indicadores de endividamento também apresentaram alta. A inadimplência das famílias, considerada como atrasos superiores a 90 dias, chegou a 5% em dezembro, aumento de 1,5 ponto percentual no ano. O endividamento das famílias, relação entre saldo das dívidas e renda acumulada em 12 meses, atingiu 49,8% em novembro, enquanto o comprometimento da renda com o pagamento das dívidas ficou em 29,3%, segundo dados do Banco Central baseados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE.

Advertisement