Connect with us

Industria

Produção de café no Acre mais que dobra e chega a 6.632 toneladas em dezembro de 2025

A produção de café no Acre atingiu 6.632 toneladas em dezembro de 2025, o que representa um crescimento de 115,4% em relação ao volume registrado anteriormente, segundo dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola divulgados pelo IBGE no dia 15, em um resultado associado a políticas públicas voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva e da agricultura familiar no estado.

O volume produzido supera as 3.079 toneladas contabilizadas no período de comparação e consolida o Acre como o segundo maior produtor de café da Região Norte. O avanço ocorre em um contexto de investimentos em capacitação de produtores, ações de fomento, promoção comercial e ampliação da infraestrutura de beneficiamento. Em encontro realizado no dia 20 de janeiro, a Secretaria de Estado de Agricultura informou que o governo atua em toda a cadeia produtiva do café e anunciou a assinatura de um edital que autoriza viveiristas a vender diretamente mudas de café e cacau ao governo, alterando o modelo de compras públicas do setor.

A estratégia de promoção do café acreano inclui a realização do concurso QualiCafé, a participação na Semana Internacional do Café, o apoio a produtores em rodadas de negócios em níveis estadual, interestadual e internacional e o incentivo à presença em concursos nacionais. Para o secretário de Agricultura, José Luis Tchê, o fortalecimento da cadeia já apresenta efeitos mensuráveis. “Atualmente, cerca de 45 mil famílias dependem da agricultura familiar no Acre. Essa atividade é fundamental para a economia do estado, pois gera renda e emprego, além de fortalecer a produção local. O fortalecimento da cadeia do café já mostra resultados positivos”, afirmou.

Para dar continuidade ao crescimento, a Seagri informou que seguirá investindo na capacitação de produtores e buscará, junto à Companhia de Armazéns Gerais e Entrepostos do Estado do Acre, recursos para o beneficiamento do café em oito unidades da empresa. Também está em andamento um estudo para a obtenção de identificação geográfica do produto, com o objetivo de agregar valor ao café produzido no estado.

Advertisement

O valor bruto da produção do café chegou a R$ 139,6 milhões, um aumento de 428% entre 2018 e 2025, e superou o da soja, que encerrou 2025 com R$ 123 milhões. As projeções da Seagri indicam que, nos próximos dez anos, o Índice de Desenvolvimento Humano da região pode passar de 0,559 para 0,680, com um valor bruto da produção potencial anual estimado em R$ 532 milhões, dos quais 85% da renda permaneceriam retidos localmente.

No campo ambiental, o estado mantém 84% da floresta preservada, associado à adoção de sistemas agroflorestais, práticas de agroecologia e geração de empregos verdes. O setor também conta com incentivos fiscais e tributários, como isenção de insumos, redução da base de cálculo para equipamentos agrícolas, aplicação dos programas Copiai I e II, que podem reduzir a carga tributária da indústria cafeeira em até 95%, além da inclusão do café acreano na cesta básica, com tributação de 7%, inferior aos 19% aplicados ao produto de outros estados.

Há ainda isenção de imposto sobre kits de irrigação e estímulos por meio do Programa de Compras Governamentais, que já movimentou R$ 166 milhões desde sua criação, sendo R$ 47 milhões apenas em 2025. No caso do café, o Copiai I gerou R$ 31,1 milhões em incentivos, enquanto as compras governamentais de café industrializado seguem com edital aberto, com duas empresas credenciadas até o momento.

Em 2025, a cidade de Mâncio Lima passou a abrigar o maior complexo industrial da agricultura familiar da Região Norte, com investimento de R$ 10 milhões, ampliando a capacidade de processamento local e a integração entre produção e indústria.

O governador Gladson Camelí afirmou que o avanço da produção está ligado a políticas voltadas à preservação ambiental, regularização e estímulo à agroecologia. “Essa parceria se traduz em iniciativas como o Programa Estadual de Aquisição de Alimentos, que destina recursos significativos para a compra de produtos da agricultura familiar, beneficiando diretamente milhares de famílias”, disse. Ele também destacou que o edital para compra direta de mudas e produtos elimina barreiras burocráticas. “Isso não só incentiva a produção local, mas também garante alimentos de qualidade para a população”, afirmou.

Advertisement

Segundo o governador, a política de fortalecimento da cadeia do café combina efeitos econômicos e sociais ao ampliar a renda de famílias do campo e estimular práticas produtivas compatíveis com a conservação da floresta. “A colaboração entre os governos é essencial para enfrentar os desafios e impulsionar ainda mais o crescimento da agricultura no Acre”, concluiu.