Uma iniciativa criada no interior de São Paulo transformou o reaproveitamento de materiais e o artesanato em uma alternativa de geração de renda para pequenos produtores. A Casa Sustentável, criada pela empreendedora Isa Perinotto, reúne artesãos em espaços comerciais onde eles podem expor seus produtos, alcançar novos clientes e profissionalizar a produção.
O projeto começou há cerca de 12 anos, em Rio Claro, a partir do reaproveitamento de pallets, portas, janelas e outros materiais que seriam descartados. Com o crescimento do negócio, Isa percebeu que muitos artesãos produziam peças próprias, mas enfrentavam dificuldades para colocar os produtos no mercado.
A iniciativa passou então a funcionar também como uma vitrine coletiva. Atualmente, a Casa Sustentável mantém espaços no Shopping Rio Claro e no Pátio Limeira Shopping. Além da estrutura física para venda, os participantes contam com atendimento, comunicação, organização comercial e curadoria dos produtos.
Os artesãos também participam diretamente do funcionamento das lojas. Cada integrante dedica parte da semana ao atendimento ao público e ajuda na comercialização das próprias peças e dos trabalhos produzidos pelos demais participantes.
O contato com o mercado também exige mudanças na forma de produzir. Questões como definição de preços, acabamento, embalagem, controle de estoque, cumprimento de prazos e relacionamento com clientes passam a fazer parte da rotina dos artesãos.
“Quando uma pessoa vê sua peça exposta em uma vitrine de shopping e percebe que alguém que não a conhece escolheu pagar por aquilo que ela criou, existe um reconhecimento do próprio trabalho. Nós ajudamos a criar um caminho para que esses produtos encontrem mercado”, afirmou Isa.
A trajetória da empreendedora também passou por capacitações voltadas à gestão. Isa empreende desde 2005 e participou, em 2013, do Empretec, programa desenvolvido pelo Sebrae para trabalhar características e comportamentos ligados ao empreendedorismo. Desde então, também participou de cursos, palestras e orientações para a condução do negócio.
Outro eixo do projeto é o reaproveitamento de materiais. Objetos que poderiam ser descartados são utilizados na produção de móveis e peças artesanais, unindo geração de renda e economia circular.
Para Isa, transformar o artesanato em fonte de renda depende não apenas da capacidade de produzir, mas também de encontrar consumidores e organizar o negócio. “Quando um artesão utiliza sua habilidade para transformar esse material em um novo produto, acrescentamos valor. E quando esse produto encontra um consumidor, esse valor se transforma também em renda”, afirmou.
A iniciativa integra as histórias apresentadas pelo Sebrae dentro da campanha Compre do Pequeno, que busca estimular o consumo em pequenos negócios. Dados divulgados pela entidade apontam que o Brasil possui mais de 24 milhões de CNPJs de pequenos negócios, entre microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte.
A proposta é mostrar que experiências locais podem criar caminhos para que artesãos deixem de depender exclusivamente de feiras, encomendas e vendas pelas redes sociais e passem a acessar espaços permanentes de comercialização.