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Acre celebra Dia do Artesão e aposta em políticas públicas para ampliar renda e presença em feiras nacionais

O Acre marcou nesta quinta-feira, 19 de março de 2026, o Dia do Artesão com ações voltadas à formalização de profissionais, estímulo à participação em feiras e reforço da comercialização de peças produzidas em diferentes regiões do estado, com destaque para a Casa do Artesanato Acreano, em Rio Branco, no entorno do Calçadão da Gameleira.

Coordenado pela Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete), o espaço reúne produtos feitos com matérias-primas locais, como sementes, madeira e borracha reaproveitada, em itens que vão de biojoias e objetos decorativos a souvenires. Em um ano, as vendas no local passaram de R$ 174 mil em 2024 para mais de R$ 443 mil em 2025, segundo dados da secretaria.

Entre os artesãos com peças expostas está Socorro Souza, que trabalha com resíduos da floresta há cerca de 50 anos. Ela disse que começou ainda jovem, por influência da família, e relatou a trajetória no beneficiamento de sementes no estado: “Eu fui a primeira mulher no Acre a trabalhar com beneficiamento de sementes, que antes era um espaço dominado por homens”. Para a artesã, a atividade se mistura à própria vida: “O artesanato é a grande âncora da minha vida. É trabalho, mas também é cuidado, é tudo para mim”.

A coordenação da Casa do Artesanato aponta que, além da renda, o setor mantém técnicas e saberes tradicionais. A coordenadora Risoleta Queiroz afirmou que o artesão atua como “guardião de tradições e técnicas ancestrais”, citando práticas como cerâmica, biojoias, marchetaria, cestarias e trabalhos em madeira, e ressaltou que o artesanato também sustenta famílias, com peso na independência financeira de mulheres.

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No eixo das políticas públicas, a Sete informou que, em 2025, cadastrou 420 novos artesãos no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab), o que permite emitir a Carteira Nacional do Artesão e abrir portas para editais e participação em grandes feiras. Em janeiro de 2026, o Acre contabilizava 2.356 artesãos ativos, de acordo com dados atualizados pela secretaria.

A ampliação do acesso a eventos fora do estado também entrou no balanço do setor. Em 2025, o artesanato acreano participou de feiras como a Fenearte, em Pernambuco, a Fenacce, no Ceará, e o Salão do Artesanato, em São Paulo, com R$ 757 mil em vendas. Somadas as feiras e a Casa do Artesanato Acreano, o faturamento do setor passou de R$ 1,2 milhão no ano. A secretaria também levou uma caravana de cadastramento a municípios como Feijó, Manoel Urbano e Sena Madureira para ampliar o mapeamento da atividade e a inclusão de profissionais nas políticas de incentivo.

A diretora de Empreendedorismo da Sete, Patrícia Parente, disse que o trabalho artesanal tem impacto direto na autonomia das famílias: “Quando uma mulher artesã cria com suas próprias mãos, ela não produz apenas uma peça. Ela constrói autonomia, dignidade e futuro para sua família”. Já o secretário de Turismo e Empreendedorismo, Marcelo Messias, afirmou que a pasta busca ampliar a valorização do artesanato local e citou o setor como um dos destaques culturais do estado.

Na avaliação de artesãos e gestores, a data reforça a continuidade de um mercado que reúne produção indígena, peças em látex, madeira e cerâmica e biojoias feitas com sementes. Socorro Souza fez um apelo para que a cadeia siga ativa: “Eu convido todos a valorizarem o nosso artesanato pela história que ele carrega e também faço um chamado para que os jovens se interessem, para que essa cultura não se perca”. Com a expansão do cadastramento e a presença em feiras nacionais, o setor passa a depender, nos próximos meses, da manutenção do apoio logístico e da ampliação de canais de venda para sustentar o crescimento e a geração de renda no estado.

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