O Brasil vai usar portos e estrutura logística da Turquia como alternativa para manter as exportações do agronegócio ao Oriente Médio e à Ásia Central depois do fechamento do Estreito de Ormuz, afetado pela guerra na região. A iniciativa foi anunciada nesta quinta-feira, 26 de março de 2026, em Brasília, com a formalização de um acordo para reorganizar embarques e reduzir o risco de interrupções em uma das principais rotas marítimas do comércio internacional.
Pelo novo arranjo, a Turquia passa a operar como ponto de transbordo e apoio logístico, permitindo que cargas brasileiras sigam viagem sem cruzar a área de maior tensão no Golfo Pérsico. O plano também prevê armazenagem temporária em território turco, para que exportadores consigam ajustar prazos e conexões de transporte enquanto o bloqueio permanece e os custos de frete e seguro oscilam com a instabilidade.
A mudança exige ajustes sanitários para mercadorias submetidas a controle veterinário, sobretudo produtos de origem animal. Para viabilizar o trânsito e a permanência limitada das cargas, foi negociado um Certificado Veterinário Sanitário específico, alinhado às exigências turcas, com o objetivo de evitar retenções e garantir previsibilidade nas remessas. O Ministério da Agricultura e Pecuária afirmou que “a medida confere mais segurança e previsibilidade aos exportadores brasileiros em um momento de instabilidade nas rotas internacionais e reforça a atuação do Ministério da Agricultura para manter o comércio agropecuário brasileiro em funcionamento”.
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e é considerado um corredor estratégico para o transporte marítimo global, com impacto direto em cadeias de abastecimento. Para o Brasil, o bloqueio aumenta a preocupação não só com a entrega de produtos ao exterior, mas também com a chegada de insumos. O país importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, e uma parcela estimada entre 20% e 30% das exportações globais desses produtos passa pela região afetada, elevando o risco de desabastecimento e de pressão sobre custos de produção no campo.
Com a rota alternativa, o governo busca preservar contratos e prazos do agro brasileiro em mercados que seguem demandando alimentos e matérias-primas, enquanto o setor acompanha os reflexos do bloqueio sobre logística, disponibilidade de insumos e planejamento da próxima safra.