
O governo do Acre intensificou neste domingo, 28 de dezembro de 2025, a atuação do Sistema Estadual de Proteção e Defesa Civil para atender famílias atingidas pela cheia dos rios, após o Rio Acre transbordar ainda no mês de dezembro, situação registrada pela primeira vez desde o início do monitoramento hidrológico, com impacto direto em Rio Branco e em municípios do interior do estado.
Na capital, o nível do Rio Acre alcançou 15,04 metros na medição das 12h, superando a cota de transbordamento e provocando alagamentos em diferentes bairros. A elevação do rio levou à retirada preventiva de famílias de áreas de risco, ao funcionamento de abrigos públicos e ao acompanhamento permanente das áreas afetadas por equipes estaduais e municipais. De acordo com a Defesa Civil Estadual, o comportamento do rio é incomum para o período, já que as grandes cheias costumam ocorrer entre fevereiro e março, sendo associadas ao volume intenso de chuvas registrado nos últimos dias tanto no Acre quanto nas áreas de cabeceira do rio.
As ações em Rio Branco incluem o uso de quatro escolas como abrigos, entre elas a Escola Estadual Leôncio de Carvalho, destinada ao acolhimento de indígenas em contexto urbano. Ao todo, 47 indígenas de seis bairros, especialmente da região do bairro da Base, foram retirados preventivamente e passaram a receber acompanhamento social e apoio humanitário. Além disso, até a manhã do dia 28, mais de 50 famílias haviam sido retiradas de áreas alagadas, com 34 famílias, totalizando 115 pessoas, acolhidas em abrigos municipais.
A secretária de Povos Indígenas, Francisca Arara, afirmou que o Estado tem atuado de forma antecipada diante de eventos climáticos extremos. “O governo estadual, por meio da Secretaria de Povos Indígenas e da Defesa Civil, tem se estruturado e se preparado para dar apoio, com equipe, estrutura e recursos, diante dos eventos extremos. Estamos aqui com os indígenas que estão saindo de suas casas e sendo atingidos pela enchente”, disse.
Nos abrigos, famílias relatam que estão recebendo alimentação, água e suporte básico enquanto aguardam a redução do nível dos rios. Paralelamente às ações do poder público, iniciativas da sociedade civil também foram registradas, como no bairro Hélio Melo, onde voluntários prestaram apoio às famílias afetadas pela elevação de igarapés, com a distribuição de itens essenciais.
No interior do estado, a situação segue em alerta. Em Tarauacá, o Rio Tarauacá ultrapassou a cota de transbordamento, exigindo a retirada de famílias ribeirinhas. Em Santa Rosa do Purus, o Rio Purus transbordou e atingiu cerca de 60 famílias. Já em Plácido de Castro, a elevação de igarapés provocou alagamentos e a retirada de moradores de áreas consideradas de risco. As ações ocorrem de forma integrada entre Defesa Civil Estadual, Corpo de Bombeiros, secretarias estaduais e órgãos parceiros, com foco no monitoramento contínuo e na resposta humanitária.
Dados consolidados no Boletim de Enchentes indicam que, em dezembro, Rio Branco acumulou 483 milímetros de chuva, quase o dobro da média esperada para o mês, enquanto Brasileia registrou 436,8 milímetros, volume 82% acima da média histórica. O boletim aponta ainda que, apenas nos últimos quatro dias, choveu em Rio Branco o equivalente ao esperado para quase todo o mês, o que contribuiu para a rápida elevação dos níveis dos rios e igarapés.
A Defesa Civil orienta que a população evite áreas alagadas, siga as recomendações das equipes de campo e busque informações apenas por canais oficiais. Em situações de emergência, o Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo número 193 e a Polícia Militar pelo 190, enquanto o governo mantém o monitoramento hidrológico e o plano de contingência em execução diante da continuidade do período chuvoso.