O governo do Acre começou um mapeamento de áreas produtivas de castanha-da-amazônia e de outros produtos florestais não madeireiros na Reserva Extrativista Chico Mendes, no interior do estado, para organizar informações sobre os locais de coleta e direcionar ações de fortalecimento da cadeia extrativista. A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e com apoio do Programa Acre Mais Produtivo (Proamp), com investimento de US$ 30 mil.
O trabalho combina levantamento em campo e formação técnica de moradores da reserva. A previsão é capacitar 165 produtores, entre lideranças comunitárias e jovens, em técnicas de mapeamento participativo, com uso de ferramentas como GNSS, drones e recursos digitais para registrar e localizar castanhais e outras áreas de interesse produtivo nas colocações.
A chefe da Divisão de Extrativismo e Sociobiodiversidade (Dives) da Seagri, Eneide Taumaturgo, afirmou que a proposta é ampliar a autonomia das comunidades na gestão do próprio território. “Ao capacitar lideranças e jovens extrativistas no uso de tecnologias como GPS, drones e softwares livres, estamos promovendo autonomia, conhecimento do território e valorização das colocações”, disse.
A gestora da Seagri, Temyllis Silva, afirmou que o governo quer ampliar a base de informações sobre as áreas de coleta para orientar decisões e fortalecer a atividade com foco em sustentabilidade e geração de renda. “Precisamos conhecer o potencial das áreas de coleta de castanhas e desenvolver essa cadeia produtiva de forma sustentável. O mapeamento dos castanhais garante acesso à informação, gera conhecimento e cria mais oportunidades para as comunidades que vivem da produção em áreas florestais”, declarou.
Com os dados levantados e a participação direta dos extrativistas no processo, a expectativa é melhorar o planejamento da produção, apoiar a organização da oferta e qualificar a gestão do recurso ao longo das safras, com efeitos sobre a renda de famílias que dependem da coleta e sobre a conservação das áreas florestais onde a atividade ocorre.