O Ministério de Minas e Energia (MME) criou uma Sala de Monitoramento do Abastecimento para acompanhar diariamente o mercado nacional e internacional de combustíveis, em meio ao avanço do conflito no Oriente Médio e à volatilidade do petróleo, enquanto estados relatam alta considerada injustificada repassada por distribuidoras. A estrutura vai atuar em articulação com órgãos reguladores e com agentes do setor nos elos de fornecimento e distribuição, com foco em prevenir riscos ao abastecimento e reagir rapidamente a eventuais distorções de preço.
A iniciativa amplia o acompanhamento das cadeias globais de suprimento de derivados de petróleo, da logística interna e dos preços dos principais produtos. Em nota, o ministério afirmou que “ampliou, nos últimos dias, as interlocuções junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a agentes de preços e de mercado que atuam na produção, na importação e na distribuição de combustíveis no país”. O objetivo, segundo a pasta, é preservar a segurança energética e manter a normalidade do fornecimento, seguindo medidas já usadas em crises geopolíticas anteriores.
Apesar do cenário de instabilidade, a avaliação do governo é de que a exposição direta do Brasil ao conflito é limitada. O país exporta petróleo bruto e importa parte dos derivados consumidos internamente — principalmente diesel —, mas a participação de países do Golfo Pérsico como fornecedores dessas importações é considerada pequena.
No front doméstico, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, enviou ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pedindo análise de aumentos recentes nos preços dos combustíveis registrados em quatro estados e no Distrito Federal. O pedido ocorreu após declarações públicas de sindicatos do setor em unidades da federação como DF, Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que relataram reajustes nas vendas das distribuidoras aos postos sob a justificativa de alta do petróleo no mercado internacional ligada ao conflito. Até agora, porém, a Petrobras não anunciou aumento nos preços praticados nas refinarias. Diante do quadro, o governo afirmou que pediu ao Cade para verificar “possíveis indícios de práticas que possam prejudicar a livre concorrência no mercado” e que possam apontar tentativa de induzir conduta comercial uniforme ou combinada entre concorrentes.
A escalada no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado global de energia. A ofensiva mais recente, segundo o governo, começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel bombardearam Teerã, episódio no qual morreu o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra países árabes do Golfo que abrigam presença militar americana, como Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia, ampliando a instabilidade na principal região exportadora de petróleo do planeta.
A criação da sala de monitoramento ocorre para antecipar impactos práticos na cadeia de abastecimento e coibir repasses sem lastro, em um ambiente em que oscilações internacionais podem afetar custos e logística de importação de derivados. A expectativa é que o acompanhamento diário acelere a coordenação entre governo, reguladores e setor privado, ao mesmo tempo em que a apuração do Cade sobre reajustes relatados por estados e sindicatos avance nos próximos dias.
Fonte: Agência Brasil