O reencontro de filhos com mães que cumprem pena no Presídio Feminino de Rio Branco ganhou status de estratégia de reintegração social no Acre com o projeto “Olhares que Acolhem”, que realizou nesta quinta-feira (9), em Sena Madureira, a segunda edição da ação. Doze mulheres privadas de liberdade encontraram crianças e adolescentes que vivem no interior do Estado e não conseguem manter visitas regulares por causa da distância e do custo do deslocamento.
A operação foi montada para reduzir o intervalo sem contato presencial, que em alguns casos chegou a anos. Uma das detentas disse que estava há seis anos sem ver os filhos e descreveu o momento como “uma alegria muito grande”. Outra, que aguardava sete filhos, conseguiu ver cinco e tentou encerrar a visita com uma promessa simples, repetida em voz alta: “A mãe ama vocês, a mãe vai sair pra cuidar de vocês”.
A escolha de Sena Madureira como ponto de encontro concentrou famílias de pelo menos dois municípios, Sena Madureira e Manoel Urbano. Para as internas, o impacto imediato foi o de retomar vínculos interrompidos pela prisão e pela impossibilidade de visitas. Uma das mães relatou estar há dois anos e sete meses sem ver os filhos e disse que quer reconstruir a rotina quando sair: “Eu só quero sair de lá pra poder cuidar dos meus filhos, dar o melhor pra eles. Eu não quero que eles sigam a vida que eu segui”.
A coordenação do projeto sustenta que a visita assistida não é apenas um gesto simbólico. A chefe da Divisão de Assistência Social e Atenção à Família, Cláudia Costa, afirmou que o objetivo é diminuir efeitos psicológicos provocados pela separação e usar o contato familiar como apoio no processo de ressocialização. Na avaliação do Iapen, a medida também tende a reduzir a ansiedade dentro do presídio e a dar mais estabilidade para as mulheres que tentam cumprir pena mantendo algum papel materno, ainda que limitado.
A ação contou com apoio institucional do Tribunal de Justiça e com participação do poder público local para viabilizar o deslocamento de familiares. O diretor de Reintegração Social do Iapen, André Vinício Assis, disse que o projeto entrou no planejamento do instituto e que a intenção é manter novas edições. Já a diretora do Presídio Feminino de Rio Branco, Jamilia Souza, apontou que longos períodos sem visitas enfraquecem vínculos e tornam a volta ao convívio familiar mais difícil: “Não poder ver os filhos é o que mais deixa elas aflitas, porque com o tempo os laços familiares vão se perdendo”.
Com o “Olhares que Acolhem” em sua segunda edição, o Iapen passa a tratar a logística do reencontro como parte da política de reintegração social, com impacto direto sobre crianças e mães que vivem realidades diferentes, mas conectadas pela ausência e pela expectativa de retorno ao convívio após o cumprimento da pena.