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Saúde

Saúde Rural Fluvial atende comunidades do Riozinho do Rola com equipes embarcadas e serviços básicos

A Prefeitura de Rio Branco levou atendimento de saúde por via fluvial a comunidades ribeirinhas do Riozinho do Rola e de seus afluentes, com oferta de consultas médicas, vacinação, exames, distribuição de medicamentos e serviços odontológicos em áreas onde o deslocamento até a capital é difícil, sobretudo durante o período de chuvas. A expedição integra o Saúde Rural Itinerante Fluvial e percorre as localidades ao longo de mais de 30 dias, com equipes embarcadas e estrutura montada para atender moradores em diferentes pontos do rio.

O programa, criado em 2005, reúne 72 profissionais de diversas especialidades e utiliza 15 embarcações para transportar pessoas, equipamentos e insumos necessários ao atendimento. A logística inclui abastecimento de combustível, água e alimentação para sustentar a operação durante todo o trajeto, além de organização de paradas em comunidades que, em muitos casos, dependem do rio como principal via de acesso.

A chefe da Divisão de Populações Rurais e Ribeirinhas, Rejane Almeida, afirmou que o atendimento começa ainda na saída de Rio Branco, quando as equipes passam a receber chamados durante a navegação. “A partir do momento em que soltamos a cordinha da cidade, já estamos à disposição dessas comunidades. Muitas vezes, quando chegamos a um local, já há pessoas esperando; em outras ocasiões, somos chamados ainda no caminho para realizar atendimento”, disse.

De acordo com a Prefeitura, em algumas paradas o volume de atendimentos ultrapassa 350 pessoas em um único dia. No ano passado, o balanço municipal apontou cerca de 35 mil procedimentos realizados em aproximadamente 30 dias, somando consultas, ações de prevenção, imunização e acompanhamentos de rotina.

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A médica de Família e Comunidade Paola Lima relatou que a atuação itinerante permite identificar casos que ficariam sem diagnóstico e garantir encaminhamentos. “Hoje fizemos diagnósticos que são básicos, mas aos quais essa comunidade não tinha acesso. Encontramos casos de tracoma em crianças que estavam sem diagnóstico e já receberam tratamento. Também avaliamos uma adolescente que precisava de uma investigação mais detalhada e conseguimos encaminhá-la para o tratamento correto”, afirmou.

Morador da comunidade Barro Alto há 35 anos, Antônio Augusto, conhecido como Barbudo, disse que o serviço ganhou estrutura ao longo do tempo e ampliou a cobertura. “Já são mais de 20 anos de itinerante. Quando começou, era tudo mais simples. Hoje está tudo mais estruturado. Esse trabalho beneficia muita gente e está cada vez mais amplo”, afirmou.

O agricultor Francisco Alves, de 64 anos, que vive na comunidade Água Preta, atravessou o rio de barco para buscar atendimento e relatou as dificuldades para chegar a Rio Branco. “Para a gente sair daqui até a cidade é muito difícil, principalmente no inverno. De barco, são cerca de quatro horas até Rio Branco. Quando chegamos lá, ainda há despesas e nem sempre conseguimos resolver tudo no mesmo dia”, disse.

Com a continuidade da expedição prevista por mais de 30 dias, a Prefeitura aposta na estratégia fluvial para reduzir barreiras de acesso e levar a atenção básica a comunidades ribeirinhas, com atendimentos concentrados no próprio território e encaminhamentos para a rede municipal quando necessário.

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