A maior parte dos empregos com carteira assinada criados no Brasil em 2026 ficou com trabalhadores de baixa renda, movimento que recolocou os pequenos negócios no centro da geração de renda no país. No primeiro bimestre, 81,2% das vagas formais abertas foram preenchidas por pessoas inscritas no Cadastro Único, enquanto os beneficiários do Bolsa Família responderam por 56,1% do saldo de postos criados no período.
Por trás desse avanço está a força das micro e pequenas empresas, que seguem como principal porta de entrada para o mercado de trabalho. Elas responderam por 80,5% do saldo de empregos de 2025 e mantiveram protagonismo também na abertura de novos CNPJs. Só nos dois primeiros meses de 2026, mais de 1,033 milhão de pequenos negócios foram formalizados, o equivalente a 97,3% de todas as empresas abertas no país.
O movimento também aparece no empreendedorismo. Em 2025, 4,6 milhões de pessoas inscritas no Cadastro Único já atuavam como microempreendedoras individuais. Desse total, 2,5 milhões abriram o negócio depois de entrar na base social do governo. O dado mostra que a formalização passou a funcionar não apenas como alternativa ao desemprego, mas como caminho de transição para uma renda própria e mais estável.
Entre os microempreendedores acompanhados pelo Sebrae, a taxa de permanência no mercado foi maior do que entre os que não receberam orientação. Quase oito em cada dez mantinham o CNPJ ativo, índice superior ao registrado entre os demais empreendedores. Serviços e comércio concentram a maior parte dessas atividades e ajudam a explicar por que os pequenos negócios têm absorvido trabalhadores que antes dependiam exclusivamente de programas de transferência de renda.
A mudança ocorre ao mesmo tempo em que o Bolsa Família mantém uma regra de proteção para famílias que aumentam a renda. Quem supera o limite de entrada no programa, mas ainda permanece dentro da faixa prevista, pode continuar recebendo metade do benefício por até 12 meses. Em abril, 2,34 milhões de famílias estavam nessa condição.
Os números mostram uma mudança no mercado de trabalho brasileiro. Em vez de permanecerem fora da atividade econômica formal, milhões de pessoas de baixa renda passaram a ocupar vagas abertas por empresas menores ou a criar o próprio negócio. Nesse cenário, os pequenos empreendimentos deixaram de ser apenas uma parcela importante da economia e passaram a funcionar como eixo da inclusão produtiva no país.