O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, manteve parada a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas no país. A PEC continua na Mesa Diretora, sem despacho para a Comissão de Constituição e Justiça, e o tema ainda não entrou formalmente na agenda de votação da Casa.
A paralisação ocorre mesmo após a aprovação do texto pela Câmara dos Deputados no fim de maio e depois de Alcolumbre afirmar, em 2 de junho, que a matéria passaria pelas comissões antes de seguir ao plenário. O presidente da CCJ, senador Otto Alencar, informou que não recebeu sinalização sobre quando a proposta será enviada ao colegiado. Uma reunião entre os dois, prevista para esta semana, foi cancelada, e a tradicional reunião de líderes também não foi marcada.
A proposta em análise no Senado prevê dois dias de descanso remunerado por semana e altera a regra atual, baseada em seis dias de trabalho para um de folga. No sistema do Senado, a PEC 221 de 2019 segue registrada como “aguardando despacho” desde 28 de maio.
A demora aumentou a pressão de parlamentares governistas, que defendem a votação ainda no primeiro semestre, antes do recesso legislativo de julho. No plenário, senadores da base passaram a cobrar prioridade para o texto e afirmam que a mudança responde a uma demanda social ligada à valorização do trabalho e à melhoria das condições de descanso dos empregados.
Do outro lado, a resistência continua forte entre setores da oposição e entre representantes do empresariado, que alegam risco de aumento de custos e impacto sobre emprego, inflação e atividade econômica. Nesse cenário, ganhou espaço uma proposta alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho, que mantém a escala atual e abre caminho para contratação por hora trabalhada.
Alcolumbre também vinha sinalizando cautela ao tratar de projetos sobre jornada e remuneração em ano eleitoral. Ao reagir a cobranças por outras propostas trabalhistas, afirmou que há mais de 30 matérias sobre piso salarial e jornada em análise e disse que pautas com impacto financeiro exigem cuidado maior. Na prática, o movimento mantém sob controle da presidência do Senado uma das discussões mais sensíveis da agenda trabalhista de 2026.