A cafeicultura dominou a agenda rural deste sábado, 16 de maio, em Acrelândia, onde o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, recebeu produtores, técnicos, pesquisadores e autoridades em um dia de campo voltado à produção de café. O encontro reuniu representantes de diferentes etapas da cadeia produtiva para discutir mercado, manejo, produtividade e o avanço do robusta amazônico, cultura que ganha força no Acre como alternativa de renda no campo.
Realizado na propriedade de Bocalom, o evento apresentou uma área cultivada de pouco mais de 20 hectares e colocou a lavoura como exemplo da expansão do café no estado. Ao longo da programação, o prefeito associou o crescimento da atividade ao potencial de geração de emprego, renda e circulação de riqueza nos municípios acreanos. “O café robusta amazônico é altamente produtivo e oferece uma rentabilidade muito interessante para o produtor. É uma cultura que pode transformar a realidade econômica de muitas famílias”, afirmou.
A programação contou com a presença do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, do prefeito de Acrelândia, além de lideranças locais e produtores ligados à cafeicultura. Também participaram representantes de outras atividades do agronegócio. O discurso predominante foi o de que o café já ultrapassou a condição de aposta e passou a ocupar espaço relevante na economia rural do Acre.
Bocalom retomou a experiência que teve à frente da prefeitura de Acrelândia para sustentar que o fortalecimento do setor depende de incentivo contínuo, assistência técnica e planejamento. “O café é uma grande oportunidade para o Acre. O pequeno produtor consegue ter renda, melhorar sua qualidade de vida e ainda contribuir para o crescimento da economia local”, disse. Em seguida, acrescentou: “Quando fui prefeito, investimos fortemente no incentivo ao café. Hoje, Acrelândia é referência no Acre, mostrando que, com apoio e planejamento, é possível desenvolver uma cadeia produtiva forte e sustentável”.
Produtores conhecidos no município, como Celso Timpurim, Wanderley Lara, Wagner Álvares e outros nomes ligados ao setor, acompanharam as atividades. O encontro também reuniu empresários e produtores de cadeias como pecuária, soja e milho. Entre eles, Jorge Moura, que atua com pecuária e soja, e Mário Maffi, produtor de grãos no Alto Acre, reforçaram a avaliação de que o agronegócio amplia sua presença no estado e que o café já caminha com peso próprio dentro desse movimento.
A parte técnica do evento começou com palestra de Ronaldo Marciano, representante da UPL, que apresentou um panorama global da cafeicultura, a valorização do café no mercado, os custos de produção e a necessidade de gestão eficiente da propriedade. Na sequência, Hadamés Wilson expôs dados sobre a produção no Baixo e no Alto Acre, com foco em estratégias de plantio entre abril e maio e em índices registrados em municípios como Capixaba, Rio Branco, Porto Acre e Acrelândia.
No encerramento, o professor Leonardo Tavela, da Universidade Federal do Acre, apresentou um panorama da produção no Vale do Juruá, os entraves para ampliar a atividade na região e os avanços alcançados com o laboratório de qualidade do café da universidade. A exposição reuniu dados de produtividade e projeções para o fortalecimento da cadeia no estado.
Depois das palestras, os participantes visitaram as áreas de cultivo. Uma das projeções apresentadas no campo aponta produção superior a 880 sacas nesta safra. Outra demonstração mostrou um plantio com um ano e três meses conduzido com cobertura vegetal para conter o mato e proteger o desenvolvimento da lavoura. O encontro também recebeu representantes do governo da Bolívia e da área de agricultura de Boca do Acre, no Amazonas, ampliando o alcance regional da articulação em torno do café produzido no Acre.