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Economia e Industria

Governo mira “pontos cegos” e abre painel nacional para rastrear agrotóxicos em bacias hidrográficas

A falta de um retrato integrado sobre a presença de agrotóxicos nas águas do país levou o governo federal a lançar nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, um painel público que reúne dados de monitoramento em bacias hidrográficas e pretende reduzir a fragmentação de informações usada hoje por diferentes órgãos e bases. A plataforma foi apresentada como uma forma de enxergar onde estão as lacunas de coleta, quais substâncias aparecem com mais frequência e como o risco de contaminação se distribui no território, com foco em impactos sobre a vida aquática.

O painel foi desenvolvido no âmbito do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a partir de dados do monitoramento conduzido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A proposta é oferecer um mapa de leitura rápida com informações como a quantidade de pontos de coleta por estado, o número de substâncias acompanhadas, percentuais de detecção e recortes relacionados ao uso do solo e à vulnerabilidade ambiental nas áreas monitoradas.

No lançamento, o secretário-executivo do ministério, João Paulo Capobianco, afirmou que o país precisa tratar o tema como parte do desafio de conciliar produção agrícola e proteção ambiental. “Esse é um tema que nós temos que trabalhar com muita responsabilidade, por que o Brasil é uma potência agrícola global, mas sabemos que, no século XXI, a competitividade e sustentabilidade não podem mais caminhar separadas. Produzir alimentos exige também proteger as águas, bioinsumos, os territórios e a saúde humana”, disse.

Capobianco afirmou que a plataforma começa com cobertura ainda limitada e deve avançar à medida que o monitoramento for ampliado territorialmente. Hoje, 49 tipos de agrotóxicos são rastreados, com previsão de ampliação do conjunto de substâncias. Ele disse que os dados já existiam, mas estavam dispersos, o que dificultava análises integradas e a formulação de políticas públicas, além de travar decisões de gestores diante de um cenário fragmentado.

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As informações iniciais reunidas no painel apontam mais de 10 mil análises realizadas, com frequência de detecção de 7,2%. O S-metolacloro aparece como a substância mais recorrente, com presença em 69,48% das detecções informadas. A avaliação do governo é que o painel também deve apoiar ações preventivas e corretivas ao permitir a identificação de tendências, recorrências e riscos nas bacias acompanhadas, além de ampliar o acesso público às informações.