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Guias de turismo no Acre comemoram Dia Nacional e cobram mais formação no interior

O Dia Nacional do Guia de Turismo, celebrado neste domingo (10), reuniu histórias de quem acompanhou o início da profissão no Acre, viu o número de registros crescer e agora defende a expansão de cursos para além de Rio Branco. A data marcou o reconhecimento de uma atividade que ganhou estrutura ao longo de mais de 20 anos e passou a ocupar espaço fixo em eventos oficiais e iniciativas de qualificação.

Uma das trajetórias lembradas é a da historiadora Ana Lúcia Cunha, que entrou para a primeira turma formada pelo Senac-AC em 1997, quando o mercado ainda era pequeno e a formação técnica era determinante para atuar sem risco de irregularidade. Ela diz que o alerta sobre a necessidade de habilitação veio logo no começo, ao ser informada de que a função é regulamentada por lei e exige preparo específico.

Da turma pioneira, com 12 formandos, parte dos profissionais seguiu no setor e ajudou a consolidar a categoria. Ana Lúcia recorda que, durante anos, foi o único nome do Acre registrado no Cadastur, cadastro federal que reúne prestadores de serviços turísticos, e descreve o período como um retrato do tamanho que a atividade tinha no estado. Com o tempo, a lista aumentou e a presença de guias passou a se espalhar por diferentes frentes, do atendimento a visitantes ao suporte em programações institucionais.

A organização coletiva veio em 2006, quando articulações em Rio Branco resultaram na criação do Sindicato dos Guias de Turismo do Acre (Singtur), oficializado em 20 de novembro daquele ano. O sindicato chega a 2026 com 38 guias sindicalizados, enquanto 58 constam no Cadastur, números usados como referência do avanço da categoria e do esforço para profissionalizar a atividade.

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Para a presidente do Singtur, Vera Lúcia Santos, o trabalho do guia define a experiência de quem visita o estado. “O guia não conta só a história do lugar, ele conta e encanta. Ele tem esse papel de fazer o elo, de fazer da viagem do turista, algo marcante, memorável”, afirmou, ao defender o reconhecimento do papel de mediação cultural e histórica feito durante os roteiros.

Nos últimos meses, novas formações e credenciamentos ampliaram o acesso de profissionais a oportunidades. Em dezembro de 2025, uma parceria entre o governo do Acre e a prefeitura de Rio Branco formou 44 novos guias. A Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete) também abriu, pelo segundo ano consecutivo, edital de credenciamento para atuação em eventos promovidos ou apoiados pelo Estado, o que reforçou a presença oficial da categoria em agendas públicas.

O secretário de Turismo e Empreendedorismo, Marcelo Messias, relacionou a atuação dos guias à forma como o Acre é apresentado a visitantes. “São profissionais essenciais, que estão na ponta atendendo turistas e visitantes. Então temos muito a agradecer e parabenizar os guias de turismo do nosso estado pela sua atuação, pela dedicação em mostrar a nossa cultura, gastronomia e riquezas naturais”, disse.

Entre os próximos passos, Ana Lúcia defende que a qualificação chegue com mais força ao interior para reduzir a concentração de oportunidades na capital e garantir que mais comunidades tenham guias formados para atuar localmente. Ela lembra que acompanhou a formação de parte dos profissionais em atividade hoje, sobretudo no estágio supervisionado, e diz que a ampliação do acesso a cursos pode consolidar uma nova geração de guias em diferentes regiões do estado.

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