As eleições de 2026 devem ampliar as oportunidades de faturamento para microempreendedores, profissionais autônomos e pequenas empresas em todo o país. Com quase R$ 5 bilhões destinados aos partidos pelo Fundo Eleitoral, as campanhas aumentam a procura por serviços de marketing digital, produção de vídeos, gestão de redes sociais, contabilidade, tecnologia e segurança cibernética.
A expansão ocorre em meio à mudança na forma como candidatos se comunicam com os eleitores. Materiais impressos, programas de televisão, rádio e carros de som continuam presentes, mas dividem espaço com vídeos curtos, transmissões em tempo real, anúncios patrocinados e conteúdos desenvolvidos para plataformas digitais.
Os gastos declarados pelas campanhas com publicidade em redes sociais passaram de 2,6% do orçamento total em 2018 para mais de 6% em 2022. No mesmo período, caiu a participação proporcional de despesas com rádio, televisão e carros de som.
A transformação aumentou a procura por profissionais capazes de acompanhar candidatos durante agendas, produzir vídeos com celulares, editar imagens, escrever roteiros para Reels e administrar anúncios pagos. Agências menores também encontram espaço por oferecerem estruturas mais enxutas e atendimento voltado a candidaturas municipais e regionais.
O empreendedor Paulo Loiola, fundador da agência de marketing e consultoria política Baselab, afirma que os serviços mais procurados atualmente incluem gestão de tráfego pago, produção de roteiros e edição de vídeos para redes sociais. “Antes, a produção era toda voltada para TV e material gráfico; hoje os serviços mais procurados são gestão de tráfego pago, roteiro para vídeo digital e edição de vídeo”, disse.
A inteligência artificial também abriu novas frentes de trabalho. As ferramentas podem ser usadas na revisão de textos, no planejamento da comunicação, na análise de dados e na produção de materiais. Ao mesmo tempo, as regras eleitorais para identificação de conteúdo sintético e combate a deepfakes aumentaram a demanda por auditoria, monitoramento de reputação e resposta a ataques digitais.
Empresas de segurança cibernética podem atuar na identificação de conteúdos manipulados, na proteção de contas e no acompanhamento de publicações que usem indevidamente a imagem dos candidatos. O trabalho exige rapidez durante a campanha, período em que informações falsas podem alcançar grande número de pessoas em poucos minutos.
Contadores e auditores formam outro grupo com demanda elevada. Partidos e candidatos precisam registrar despesas, apresentar documentos e prestar contas à Justiça Eleitoral. Os prestadores de serviços, incluindo microempreendedores individuais, também devem manter a documentação fiscal regularizada e emitir a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica.
Para alguns profissionais, o período eleitoral pode representar uma parcela relevante do faturamento anual. A entrada nesse mercado, porém, exige planejamento financeiro, contratos claros, capacidade de atender prazos curtos e conhecimento das regras aplicadas às campanhas.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias