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Empreender

Habilidades socioemocionais ampliam chances de sucesso no empreendedorismo feminino, diz Sebrae

As habilidades socioemocionais têm papel central no aumento das chances de sucesso de negócios liderados por mulheres no Brasil, segundo avaliação da coordenadora nacional do programa Sebrae Delas, Renata Malheiros, em entrevista concedida à diretora-geral do Banco Mundial, Anna Bjerde, e disponibilizada no canal da instituição internacional no YouTube. A conversa abordou os desafios enfrentados por mulheres empreendedoras, as desigualdades estruturais no ambiente de negócios e as ações desenvolvidas pelo Sebrae para apoiar esse público.

Durante a entrevista, Renata Malheiros afirmou que as barreiras enfrentadas pelas mulheres no empreendedorismo têm origem cultural e impactam diretamente o desempenho dos negócios. Dados apresentados por ela indicam que o Brasil possui cerca de 30 milhões de empreendedores, dos quais 10 milhões são mulheres, embora elas representem 52% da população. Mesmo sendo, em média, 20% mais escolarizadas do que os homens, as empreendedoras registram faturamento cerca de 15% menor. Segundo o Sebrae, um dos fatores associados a essa diferença é o fato de as mulheres dedicarem, em média, 17% menos horas aos seus negócios, em razão do maior tempo destinado aos cuidados familiares.

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Para enfrentar esse cenário, Renata destacou a atuação do programa Sebrae Delas, que já atendeu mais de 500 mil mulheres em todo o país, com foco no desenvolvimento de habilidades socioemocionais e no acesso à mentoria. “Mulheres que desenvolvem habilidades socioemocionais têm mais propensão ao sucesso. A mentoria e o apoio são cruciais para ajudar as mulheres a enfrentar os desafios do empreendedorismo e integrar suas vidas pessoais e profissionais”, afirmou a coordenadora durante a entrevista.

Outro ponto tratado na conversa foi o papel do empreendedorismo na geração de empregos e na redução da pobreza. Renata Malheiros destacou que o empreendedorismo tem se consolidado como um dos caminhos mais rápidos de inserção no mercado de trabalho, especialmente após a criação da figura do microempreendedor individual (MEI), que ampliou o acesso à formalização no país.

A entrevista também abordou o acesso ao crédito como um dos entraves históricos para negócios liderados por mulheres. Nesse contexto, o Sebrae criou o Fampe 100 Mulher, modalidade do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas voltada exclusivamente a empreendedoras. O modelo permite que o Sebrae atue como avalista de até 100% do valor do empréstimo, enquanto a versão tradicional do fundo cobre até 80%. Somente neste ano, mais de R$ 700 milhões em empréstimos foram concedidos a negócios liderados por mulheres com o aval da instituição.

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Segundo o Sebrae, a iniciativa busca ampliar a inclusão financeira, facilitar o acesso ao crédito e fortalecer a educação financeira de pequenas empresas comandadas por mulheres, a partir de um relacionamento orientado e voltado às especificidades desse público. A expectativa é que ações desse tipo contribuam para reduzir desigualdades no ambiente empreendedor e criar condições mais equilibradas para o crescimento dos pequenos negócios no país.

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