Uma inundação repentina atingiu nesta quarta-feira (26) a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, matou pelo menos 95 pessoas no lado nepalês e deixou centenas de turistas desaparecidos. O desastre começou após uma massa de lama e rochas atingir um rio na região do Himalaia, provocando uma forte correnteza que destruiu casas, estradas, pontes e instalações de geração de energia.
Pelo menos 384 turistas estavam desaparecidos na região. Entre eles estão 105 indianos, 93 nepaleses, três cidadãos dos Estados Unidos e 12 britânicos. Oito sul-coreanos também foram dados como desaparecidos após a enchente.
Imagens registradas na região mostram pessoas tentando fugir antes da chegada de uma grande quantidade de água, lama e pedras. Prédios e veículos foram arrastados pela correnteza. No Tibete, um deslizamento atingiu a área do posto de fronteira terrestre no condado de Gyirong, onde também havia pessoas desaparecidas.
A causa do desastre ainda está sob investigação. Um terremoto de magnitude 4,4 foi registrado na região cerca de sete minutos antes do horário em que a inundação aparece em imagens de câmeras de segurança. Uma das hipóteses é que o tremor tenha provocado uma avalanche de gelo e rochas no rio Lhende Khola, desencadeando a cheia.
Autoridades também mantêm um alerta para a possibilidade de uma segunda inundação. Uma obstrução permanece rio acima na região da fronteira entre Nepal e China, o que pode represar água e provocar uma nova onda de cheia caso a barreira se rompa.
As operações de busca e resgate enfrentam dificuldades nas áreas mais atingidas. Helicópteros não conseguiram pousar em Syapru Besi e Timure, no distrito montanhoso de Rasuwa, onde vivem cerca de 50 mil pessoas. O transbordamento dos rios e os danos às vias terrestres dificultam a chegada das equipes.
Moradores das margens do rio Bhote Koshi foram orientados a deixar as áreas mais baixas e procurar terrenos elevados. Vilas inteiras e áreas de obras foram atingidas pela correnteza.
O impacto da enchente também levou à emissão de alertas nos estados indianos de Uttar Pradesh e Bihar. Os dois estados ficam próximos ao Nepal e recebem águas de rios que descem da região do Himalaia.
As buscas pelos desaparecidos continuam, enquanto equipes de emergência tentam chegar às comunidades isoladas e as autoridades avaliam a extensão dos danos.