A nova tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros amplia a pressão sobre exportadores e empresas ligadas a cadeias produtivas que vendem ao mercado norte-americano. A cobrança adicional deve entrar em vigor em 22 de julho e atinge itens como máquinas agrícolas, ferramentas, calçados, vestuário, açúcar orgânico, borracha, pedras de construção e produtos petroquímicos, em uma disputa comercial que envolve regras de comércio digital, etanol, meio ambiente, leis anticorrupção e o sistema Pix.
A medida foi adotada após investigação aberta pelo governo norte-americano com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Produtos importantes da pauta brasileira ficaram fora da nova taxação, entre eles petróleo, café, carne bovina, laranja, aeronaves e componentes aeroespaciais. Mesmo com as exceções, a decisão pode afetar empresas que dependem de contratos externos ou fornecem peças, insumos e serviços para grandes exportadoras.
O Sebrae orienta os pequenos negócios a reduzir a dependência de um único destino comercial e buscar novos mercados. A instituição avalia que o impacto direto pode variar conforme o setor, mas alerta que micro e pequenas empresas podem ser atingidas de forma indireta quando fazem parte de cadeias exportadoras. O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, afirmou que acordos comerciais, como o Mercosul-União Europeia, podem abrir novas oportunidades para empresas brasileiras que pretendem vender ao exterior.
A inclusão do Pix entre os pontos questionados pelos Estados Unidos gerou reação do Sebrae. O sistema de pagamentos é usado por 96% dos pequenos negócios no Brasil e se tornou uma das principais ferramentas de recebimento para empreendedores. Para a entidade, tratar o Pix como barreira comercial não se sustenta, porque o sistema reduziu custos e ampliou o acesso a pagamentos digitais no país.
O governo brasileiro repudiou a decisão dos Estados Unidos e informou que vai acionar instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade. O Brasil também deve levar o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio. A reação ocorre em meio a divergências sobre acesso a mercados, políticas comerciais e regras regulatórias brasileiras.
A participação das micro e pequenas empresas nas exportações brasileiras cresceu na última década. Entre 2015 e 2025, o número de pequenos negócios exportadores aumentou cerca de 10%, e o segmento passou a representar quase 40% das empresas brasileiras que vendem ao exterior. A América do Sul concentra 25,3% das exportações desses negócios, seguida pela América do Norte, com 19,7%.
Os Estados Unidos ainda são o principal destino das exportações brasileiras, mas perderam espaço entre os pequenos negócios. A participação do mercado norte-americano caiu de 20,1%, em 2024, para 16,7%, em 2025. A China avançou no mesmo período e chegou a 9,43%, o maior percentual da série histórica. O cenário reforça a necessidade de diversificação em um momento de aumento das barreiras comerciais.