O Brasil tem mais de 16,1 mil catadores e catadoras de materiais recicláveis com CNPJ aberto como microempreendedor individual (MEI), segundo levantamento do Sebrae com base em dados da Receita Federal e do Cadastro Único para Programas Sociais. Cerca de 70% desses registros seguem ativos, movimento que amplia o acesso da categoria a políticas públicas e a serviços associados à formalização.
O número de microempreendedores ativos na atividade mais que triplicou em 11 anos, ao sair de 3,2 mil em 2014 para 10,8 mil em 2025. O Sebrae informa que atende diretamente mais de 5 mil catadores e catadoras e que 83,4% estão com obrigações em dia, como impostos e declaração anual.
Ao comentar os dados, o presidente do Sebrae, Décio Lima, relacionou a formalização ao reconhecimento do trabalho e ao impacto ambiental da atividade. “São aqueles que acordam de manhã e ajudar a salvar o planeta, fazendo uma atividade imprescindível para a sociedade. Se não tiver os catadores, não há futuro para o mundo”, afirmou. Ele também disse que “se formalizar como catador é uma porta para a inclusão social e para uma série de benefícios que geram qualidade de vida para esta população”.
O perfil mostra predominância de pessoas entre 30 e 59 anos, faixa que reúne mais de 70% dos profissionais. Homens são maioria (72,9%), mas as mulheres concentram a maior proporção de CNPJs ativos: 71,4%, ante 68,2% entre os homens.
A distribuição regional aponta concentração no Sudeste, onde estão 44% dos catadores formalizados, com destaque para São Paulo. O estado reúne mais da metade desse público (52,5%). Na sequência aparecem Nordeste (21,6%), Sul (16,4%), Centro-Oeste (11,9%) e Norte (5,4%). Em números absolutos, os municípios com mais catadores com CNPJ registrado são São Paulo (681), Penedo (AL) (581) e Rio de Janeiro (383).
O recorte social indica que a maioria dos MEIs catadores não está no Cadastro Único: dos 16,1 mil formalizados, 42,4% têm acesso a programas sociais. Entre os que estão cadastrados, 62,8% entraram no CadÚnico depois de abrir o negócio, e 50,3% recebem o Bolsa Família, sinalizando que o registro como MEI tem sido combinado com políticas de transferência de renda em parte da categoria.
Para ampliar a organização produtiva e a inclusão, o Sebrae atua com o projeto Pró-Catadores em 19 estados, junto a mais de 300 organizações, que reúnem 4.800 catadores. A iniciativa integra ações do governo federal sob liderança da Secretaria-Geral da Presidência da República, e a entidade participa como convidada do Comitê Interministerial para Inclusão Socioeconômica de Catadoras e Catadores (CIISC).