O Ministério Público do Acre abriu procedimento para investigar as causas do desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, e apurar eventuais responsabilidades civis e criminais pelo caso. A medida foi anunciada neste sábado, um dia depois do colapso parcial da estrutura, que atingiu uma das principais ligações entre o centro da cidade e o Segundo Distrito e deixou quatro feridos.
A Promotoria de Justiça Cível e Criminal do município determinou a realização de perícia técnica, vistorias especializadas e a requisição de documentos e informações aos órgãos e empresas envolvidos. O Núcleo de Apoio Técnico do MPAC também enviou equipe ao local para auxiliar na coleta de elementos que devem embasar a investigação. A apuração vai reunir as frentes criminal e de defesa do patrimônio público, em meio à pressão por respostas sobre uma obra entregue há pouco mais de dois anos.
O desabamento ocorreu na noite de sexta-feira, 5 de junho. Desde então, o governo estadual mantém o isolamento total da área e informou que o Rio Iaco também recebeu restrições por causa dos destroços que ficaram no leito. A Polícia Civil designou três delegados da Divisão Especializada de Investigações Criminais e mobilizou uma equipe de engenharia para os levantamentos periciais. Até aqui, a orientação oficial é que não haja conclusões antecipadas antes da conclusão dos laudos.
Na área da saúde, o boletim mais recente aponta que um dos feridos segue em estado gravíssimo na UTI do Pronto-Socorro de Rio Branco, após cirurgia para correção de fratura pélvica e com traumatismo craniano grave. Outros dois pacientes permanecem internados em estado estável, com indicação de cirurgia, e um quarto ferido recebeu alta. O governo também informou que, até o momento, não havia registro de desaparecidos.
A ponte Frei Paolino Baldassari foi entregue em dezembro de 2023 como uma obra estratégica para Sena Madureira. Com 232 metros de extensão e investimento de R$ 36 milhões, a estrutura passou a atender diretamente moradores do Segundo Distrito, que durante décadas dependeram de embarcações ou de um trajeto alternativo mais longo para chegar ao outro lado da cidade. À época da inauguração, a obra foi apresentada como um marco de mobilidade, acesso a serviços e integração urbana.
Agora, o caso abre uma nova frente de desgaste para o Estado e amplia a cobrança por fiscalização, manutenção e transparência em obras públicas de grande porte. O governo informou que a ponte já estava interditada preventivamente desde a quinta-feira, 4 de junho, e sustenta que informações preliminares apontam para o fenômeno das chamadas terras caídas, associado à dinâmica das margens do Rio Iaco. Também anunciou medidas judiciais para cobrar providências da empresa responsável pela obra. As causas do colapso, no entanto, ainda dependem das perícias e das investigações em andamento.