Connect with us

Meio ambiente

Nanofertilizante de caroço de açaí aumenta crescimento do sorgo em 164% e do milho em 24%

Pesquisadores da Embrapa Agroindústria Tropical e da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram um nanofertilizante a partir do caroço do açaí que aumentou o crescimento do sorgo em 164% e o do milho em 24% em testes experimentais. A tecnologia, divulgada em agosto de 2026, aproveita um resíduo do processamento da fruta para produzir nanopartículas capazes de melhorar a absorção de nutrientes pelas plantas.

Os testes usaram uma concentração de 10 miligramas do produto por litro de água nas variedades de milho BRS-Gorutuba e sorgo 2502, ambas de ciclo curto e recomendadas para cultivo no semiárido. Além do crescimento da parte aérea, o volume das raízes aumentou 23% no milho e 59% no sorgo em comparação com plantas que não receberam o nanofertilizante.

O desenvolvimento do sistema radicular amplia a capacidade de exploração do solo em busca de água e nutrientes, característica que pode ter importância para cultivos submetidos à baixa disponibilidade hídrica. A tecnologia ainda está em fase experimental e precisa passar por novas etapas antes de uma eventual aplicação comercial em larga escala.

A matéria-prima usada na produção do nanofertilizante é abundante. A cada tonelada de açaí destinada à extração da polpa, cerca de 700 quilos de caroços são gerados. Parte desse material acaba descartada ou é utilizada como combustível em caldeiras.

Advertisement

Para transformar o resíduo em nanomaterial, os pesquisadores utilizam um processo chamado síntese hidrotermal, no qual o pó obtido do caroço é submetido a altas temperaturas e pressão. O procedimento produz pontos quânticos de carbono, nanopartículas fluorescentes com aproximadamente quatro nanômetros de diâmetro.

O tamanho reduzido permite que as partículas penetrem nos tecidos das folhas e transportem nutrientes minerais até as células. Elas também absorvem radiação ultravioleta e emitem luz azul, mecanismo associado ao estímulo do sistema fotoquímico das plantas e ao aumento da eficiência da fotossíntese.

O pesquisador Cláudio Carvalho, da Embrapa Agroindústria Tropical, afirma que o aproveitamento do caroço também permite devolver parte dos nutrientes minerais presentes na biomassa às áreas de produção. “Esse é um destino nobre, que agrega valor à biomassa e, ao mesmo tempo, devolve pelo menos parte dos nutrientes minerais, principalmente micronutrientes, às áreas de produção, economizando em fertilizantes.”

O professor Pierre Fechine, coordenador do Laboratório do Grupo de Química de Materiais Avançados da UFC, afirma que a disponibilidade de resíduos agroindustriais no Brasil, especialmente na região amazônica, oferece matéria-prima de baixo custo para pesquisas desse tipo. Os resultados do trabalho foram publicados na revista científica Dyes and Pigments.

A próxima etapa envolve ampliar os testes para culturas como feijão, batata-doce, abóbora, hortaliças e mudas de açaizeiro. Os pesquisadores também precisam avançar no escalonamento da produção, controlar os custos industriais e avaliar requisitos regulatórios e de segurança para o uso agrícola em maior escala.

Advertisement