O Acre registrou 689 casos confirmados de dengue em 2026 até 14 de abril, na semana epidemiológica 14, com 1.171 notificações prováveis e sem registro de óbitos ou casos graves no período. No mesmo recorte de 2025, o estado somava 5.624 confirmações e 6.161 casos prováveis, o que coloca a redução deste ano em 87,75% entre os confirmados e em 81% nas notificações prováveis.
A queda ocorre depois de um ano marcado por alta da doença no estado. Em 2025, o Acre acumulava milhares de casos ao longo do ano, com registro de mortes e ações de reforço na prevenção, em um cenário de alerta sanitário. Em 2026, a fotografia do começo do ano é diferente: além do recuo nas curvas semanais, a confirmação tem predominância laboratorial, com 492 casos (72%) fechados por exames e 196 (28%) por critério clínico-epidemiológico, com um caso ainda em investigação.
Os dados mostram concentração no Baixo Acre, com 442 casos confirmados entre as semanas 1 e 14, e destaque para Rio Branco, que somou 308 confirmações no período, seguida por municípios com números menores. Na regional Juruá/Tarauacá-Envira, foram 205 confirmações, e no Alto Acre, 42. A avaliação oficial é de que o comportamento do início do ano orienta as medidas em curso. “O comportamento da dengue nesses primeiros dias do ano subsidiam o monitoramento contínuo do cenário epidemiológico, orientando a adoção de medidas oportunas de vigilância, prevenção e controle em âmbito estadual e municipal”, informou a Secretaria de Estado de Saúde.
No pano de fundo, o recuo do Acre acompanha a tendência nacional registrada no primeiro trimestre. No país, os casos prováveis caíram em relação ao mesmo período de 2025, depois do pico registrado em 2024 e de um total menor em 2025, mantendo a dengue como a arbovirose de maior pressão sobre a rede de saúde. “Mesmo com esses avanços, a dengue ainda é a doença que mais nos desafia”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao citar a expectativa por vacinas e novas tecnologias de prevenção e controle.
Entre as frentes em andamento no país estão o uso ampliado de armadilhas para monitoramento do mosquito, estratégias como insetos estéreis e a expansão do método Wolbachia em áreas prioritárias, além da vacinação para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos iniciada em 2024 e iniciativas com vacina nacional em projetos-piloto. No Acre, o boletim estadual também aponta o risco de mudança no padrão epidemiológico com a possibilidade de reintrodução de novos sorotipos e registra que, em 2026 até a semana 14, as confirmações estiveram associadas ao DENV-1.
O recuo nos números não encerra o problema, porque a sazonalidade pode puxar novas altas nas semanas seguintes e a circulação de diferentes sorotipos costuma aumentar o risco de quadros graves. O cenário mantém a necessidade de vigilância contínua, controle do vetor e resposta rápida a sinais de retomada da transmissão, principalmente nas áreas com maior concentração de casos.