A comunidade nativa Alto Tamaya–Saweto, na fronteira entre Peru e Brasil, denunciou que madeireiros teriam mexido em marcos de demarcação do território indígena após uma verificação técnica apontar divergência de coordenadas e danos em pontos estratégicos. A checagem ocorreu entre 16 e 26 de abril de 2026, na zona sul e sudeste do território comunal, área considerada vulnerável por causa do acesso difícil e do histórico de pressão associado a rotas abertas na floresta.
A inspeção avaliou cinco marcos, do 7 ao 11, com medições em campo, conferência de coordenadas registradas e registro fotográfico. A ação contou com participação de representantes da Direção Regional de Agricultura de Ucayali, membros da comunidade e uma equipe técnica de uma organização que atua na região. Pelo menos um dos marcos apresentou diferença em relação ao registro oficial, enquanto outros foram encontrados fragmentados ou deteriorados, o que reforçou a suspeita de interferência recente na linha de demarcação.
A chefe comunal Karen Shawiri López afirmou que a reposição atendia a uma demanda acumulada havia dois anos e que os moradores já desconfiavam de alteração dos marcos pelo trânsito de máquinas pesadas. “Pensávamos que os hitos haviam sido movidos, possivelmente pelo trânsito de maquinaria, como tratores que haviam passado pela zona”, disse.
Durante a verificação, o marco 11 apresentou discrepância com a informação registral e foi reposicionado. O marco 9 foi encontrado fragmentado e precisou ser reforçado, e o marco 10 teve sinais de desgaste e também foi consolidado com novos elementos. A equipe relatou indícios compatíveis com impacto de maquinário na área e apontou que a presença de uma via ligada a antigas atividades madeireiras segue como fator de pressão no trecho avaliado.
Após a checagem, a comunidade informou que reforçou pontos de vigilância na zona sudeste para tentar impedir a circulação de veículos pesados próximos à linha de demarcação. O técnico Alexander Cartagena, da Direção Regional de Agricultura de Ucayali, afirmou que a reposição dos marcos contribui para a segurança territorial, sobretudo no setor em que Saweto faz divisa com a comunidade Sawawo–Hito 40. “É uma ação positiva porque ajuda a comunidade na segurança territorial”, declarou.
A reposição reacendeu o alerta sobre o papel de estradas e ramais na ampliação da vulnerabilidade territorial na Amazônia peruana. Lideranças associam a via que cruza a área a um antigo ciclo madeireiro e afirmam que a rota pode facilitar a entrada de terceiros. A presidente do comitê de vigilância, Stefania Arévalo Cushamba, disse que o controle cotidiano segue limitado por falta de recursos e de pessoal. “Por falta de maior implementação do comitê de vigilância, não podemos fazer um controle constante”, afirmou.
No percurso pela floresta durante o trabalho técnico, houve relato de vegetação contínua e avistamento de fauna, como capivaras, maquisapas e araras, além do registro de uma jiboia amarela e rastros atribuídos a um felino. A comunidade disse que houve extração de copaíba no ano passado e que mantém atenção para possíveis atividades ilegais, em um cenário em que a integridade dos marcos territoriais é tratada como central para coibir invasões e disputas na área de fronteira.
Fonte: Infobae Peru, 12 de maio de 2026.