Duas novas espécies de minhocas foram identificadas por pesquisadores em áreas de produção rural com manejo conservacionista, em uma descoberta que reforça a importância da biodiversidade do solo para a agricultura. O registro foi feito em unidade da Embrapa no interior paulista, após análises em ambientes com integração entre lavoura, pecuária e floresta, além de pastagens e áreas de plantio direto.
As espécies receberam os nomes de Fimoscolex bernardii e Glossoscolex canchim. A primeira homenageia o pesquisador Alberto Bernardi. A segunda faz referência à área experimental onde os exemplares foram coletados. O trabalho ampliou o inventário da fauna nativa brasileira e acrescentou novas informações sobre organismos que ajudam a manter o solo fértil e biologicamente ativo.
Os exemplares foram encontrados em diferentes sistemas de uso da terra, como integração lavoura-pecuária-floresta, integração lavoura-pecuária, integração pecuária-floresta, pastagens intensivas e extensivas e lavouras anuais sob plantio direto. Depois da coleta em campo, o material passou por triagem e análise morfológica, com observação de estruturas externas e internas.
A presença dessas espécies em áreas produtivas é considerada relevante porque as minhocas participam de processos centrais para a qualidade do solo. Elas abrem canais que facilitam a infiltração de água, fragmentam resíduos vegetais, ajudam no transporte de microrganismos e misturam matéria orgânica com minerais, o que favorece a estrutura e a fertilidade do terreno.
A descoberta também chama atenção para o tamanho da biodiversidade ainda pouco conhecida abaixo da superfície. Embora o Brasil já tenha centenas de espécies descritas, pesquisadores estimam que o número real seja bem maior. O avanço do levantamento em áreas agrícolas ajuda a entender como diferentes formas de manejo podem conservar espécies nativas e, ao mesmo tempo, sustentar a produção.