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Meio ambiente

Comitê Chico Mendes repudia ataques contra Wendel Araújo após reunião sobre a Resex Chico Mendes

O Comitê Chico Mendes repudiou, nesta quarta-feira, 8, as acusações feitas contra Wendel Araújo, presidente da Associação de Moradores e Produtores da Reserva Extrativista Chico Mendes de Assis Brasil (Amopreab) e integrante do Coletivo Varadouro, após a 27ª Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo da Reserva Extrativista Chico Mendes, realizada em Xapuri. A reação ocorre depois da votação sobre a suspensão do Termo de Adequação do Perfil do Beneficiário, tema que mobilizou moradores, lideranças comunitárias e instituições ligadas à gestão da unidade de conservação.

A reunião discutiu a situação de famílias que vivem na Resex Chico Mendes e ainda aguardam regularização no cadastro oficial de beneficiários. O debate terminou em votação apertada: nove conselheiros votaram pela suspensão do termo e oito foram contra. Wendel Araújo ficou entre os que defenderam a continuidade do processo de regularização, posição que passou a ser alvo de críticas e acusações nas redes sociais.

Na nota, o Comitê Chico Mendes afirmou que as declarações contra Wendel Araújo são falsas e difamatórias. A entidade também criticou a tentativa de transformar uma decisão coletiva do Conselho Deliberativo em ataque pessoal contra uma liderança comunitária. Para o Comitê, divergências sobre o futuro da reserva devem ser tratadas nos espaços de participação social, sem intimidação e sem exposição de moradores e representantes das comunidades.

A discussão ganhou força porque o Termo de Adequação do Perfil do Beneficiário pode permitir a inclusão de centenas de famílias no cadastro oficial da reserva. Rian Barros, jovem extrativista da Resex Chico Mendes, afirmou que cerca de 570 famílias podem regularizar a situação. Ele defendeu que a comunidade não seja conduzida pelo medo e que a desinformação não substitua o diálogo entre moradores, associações, cooperativas, universidades, órgãos públicos e prefeituras.

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Rian também afirmou que a Reserva Extrativista Chico Mendes nasceu da luta de homens e mulheres da floresta para garantir o direito das populações tradicionais de viver, produzir e preservar. Para ele, a reserva não protege apenas os recursos naturais, mas também as pessoas e o modo de vida construído no território. O jovem extrativista reconheceu a necessidade de atualização do plano de manejo, mas afirmou que a regularização das famílias não impede a revisão das regras no futuro.

A suspensão do processo até a conclusão da atualização do plano de manejo pode manter famílias por pelo menos mais três anos sem regularização. Esse é um dos pontos de maior preocupação para lideranças que defendem a continuidade do termo. A avaliação é que a atualização das normas precisa ocorrer com participação e responsabilidade, sem retirar das famílias o acesso aos direitos ligados ao reconhecimento como beneficiárias da unidade.

A 27ª Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo reuniu representantes de comunidades, associações, cooperativas, sindicatos, universidades, prefeituras e órgãos públicos. Entre os temas debatidos estiveram o Programa de Aquisição de Alimentos, projetos de apoio às comunidades, monitoria participativa e propostas ligadas ao perfil das famílias beneficiárias da Resex Chico Mendes.

Criada em 1990, a Reserva Extrativista Chico Mendes é uma das unidades de conservação mais simbólicas do país. O território leva o nome do líder seringueiro Chico Mendes, assassinado em Xapuri em 1988, e representa a luta das populações tradicionais pela permanência na floresta com produção, moradia e preservação ambiental.

O episódio expõe a disputa em torno da atualização das regras de uso da reserva e da permanência das famílias no território. De um lado, moradores cobram mudanças no plano de manejo e maior adaptação à realidade atual da Resex. De outro, lideranças extrativistas defendem que qualquer alteração preserve a finalidade da unidade e não fragilize o direito das comunidades tradicionais.

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O Comitê Chico Mendes pediu providências para garantir a segurança de Wendel Araújo e de sua família. A entidade afirmou que o debate sobre a Resex Chico Mendes deve permanecer no campo democrático, com participação das comunidades e respeito às decisões coletivas. A fala de Rian Barros reforçou o mesmo ponto: a reserva foi criada para proteger a floresta, mas também para proteger as famílias que vivem dela.