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Meio ambiente

Viveiro no Pará deve produzir até 250 mil mudas nativas em 2026

O Viveiro Florestal da Ardosa, em Santarém, no oeste do Pará, deve alcançar entre 200 mil e 250 mil mudas nativas da Amazônia em 2026, em uma expansão que transforma uma antiga área degradada em polo de produção ligado à recuperação ambiental, à renda familiar e à bioeconomia no Baixo Amazonas.

Criado pelo casal Sidcley Matos Pereira e Adna Picanço, o empreendimento começou de forma artesanal, com uma saca de substrato comprada por R$ 20 e o cultivo inicial de espécies como açaí, andiroba e cumaru. Sem contratos fechados no início da operação, o viveiro cresceu a partir da produção de mudas nativas e da articulação com comunidades, famílias coletoras de sementes e projetos de recomposição florestal.

“Quando começamos, não tinha projeto nem cliente. Mas eu sempre dizia que faria o viveiro ser reconhecido. Eu não sabia como, mas acreditava nisso”, afirmou Adna.

A estruturação do negócio ganhou força com capacitações em gestão, participação no Empretec, conexões comerciais e ações de identidade visual e comunicação. O viveiro também integrou o projeto Iconografia Local – Bioma Amazônico, voltado à valorização de elementos da sociobiodiversidade em produtos e empreendimentos do Baixo Amazonas.

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Hoje, o Viveiro Florestal da Ardosa cultiva mais de 110 espécies nativas da Amazônia, entre elas itaúba, castanha-do-pará e mogno, árvores ameaçadas de extinção. A produção anual, que chegou a 100 mil mudas, entrou em nova fase com a abertura de mercados e parcerias comerciais ligadas à agenda ambiental e à COP 30.

A expansão será reforçada por cerca de R$ 190 mil em investimentos captados junto à Conservação Internacional Brasil. O recurso será aplicado na construção de um novo galpão, na ampliação das áreas de sombreamento e na instalação de novas bancadas de produção, medidas que devem aumentar a capacidade de atendimento a projetos de restauração e recuperação ambiental.

“A gente percebe que as pessoas estão entendendo que sustentabilidade não é só preservar, mas também produzir renda e futuro. Nosso trabalho começa na coleta da semente, passa pelas famílias, pelas comunidades e chega na floresta novamente. Cada muda carrega esse ciclo e esse compromisso com a Amazônia”, disse Sidcley.

No Baixo Amazonas, a experiência do viveiro se soma a iniciativas de bioeconomia, design, moda, biojoias, mobiliário e artesanato que buscam transformar a floresta em base para pequenos negócios. O projeto Iconografia Local – Bioma Amazônico reuniu 20 empreendedores em oficinas, mentorias e capacitações em gestão, inovação e acesso a mercados, com lançamento de publicação durante a COP 30.

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