Os microempreendedores individuais (MEIs) foram os que mais avançaram na adoção de ferramentas digitais nos últimos dois anos no Brasil. A Pesquisa de Maturidade Digital dos Pequenos Negócios 2026, divulgada pelo Sebrae nesta sexta-feira (23), mostra que o índice nacional de digitalização cresceu 10% entre 2024 e 2026, impulsionado pelo uso de tecnologias para atendimento, vendas e gestão empresarial.
O Índice de Maturidade Digital dos Pequenos Negócios (IMD-PN) passou de 35 para 39 pontos no período, em uma escala de zero a 80. O levantamento foi realizado pelo Sebrae, com metodologia desenvolvida em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
Entre os MEIs, o crescimento relativo chegou a 12%, o maior registrado entre os diferentes portes empresariais. Apesar do avanço, essa categoria ainda apresenta a menor pontuação média, com 35 pontos. As empresas de pequeno porte lideram o índice, com 46 pontos, seguidas pelas microempresas, com 43.
A pesquisa também mostra uma redução no número de empreendimentos com pouca presença digital. Em 2024, 17% dos pequenos negócios brasileiros eram classificados como iniciantes. Em 2026, esse percentual caiu para 2%. Ao mesmo tempo, a participação das empresas consideradas líderes digitais passou de 5% para 9%.
Atualmente, 60% dos pequenos negócios estão classificados como emergentes, categoria que reúne empresas em processo de incorporação de tecnologias às atividades comerciais e administrativas.
O presidente do Sebrae, Décio Lima, afirma que os empreendedores passaram a buscar não apenas acesso à internet, mas também qualificação para utilizar recursos digitais na administração dos negócios. Segundo ele, a instituição oferece soluções gratuitas de capacitação para apoiar esse processo.
No levantamento por atividade econômica, o comércio alcançou a maior pontuação, com 40 pontos, seguido pelo setor de serviços, com 39, e pela indústria, com 35. Serviços registrou crescimento relativo de 12% nos últimos dois anos.
A digitalização também apresenta diferenças conforme a idade e a escolaridade dos empresários. Empreendedores de até 34 anos alcançaram média de 44 pontos, enquanto aqueles com 65 anos ou mais registraram 37. Entre os profissionais com pós-graduação, a média chegou a 45 pontos.
No ranking estadual, o Rio Grande do Norte aparece na primeira posição, com 42 pontos. O Amazonas ocupa o segundo lugar, com 41, seguido por São Paulo, com 40.
Apesar dos avanços, a pesquisa aponta dificuldades na utilização de plataformas de comércio eletrônico e no desenvolvimento de produtos em parceria com startups e centros tecnológicos. Essas atividades permanecem entre as práticas menos adotadas pelos pequenos negócios brasileiros.