O Rio Acre segue em elevação em todo o estado e provocou uma cheia registrada pela Defesa Civil como a mais significativa das últimas décadas, levando o governo do Acre a manter ações emergenciais e a divulgar boletins diários para informar a população sobre níveis dos rios, acolhimento de famílias e medidas de resposta, conforme atualização publicada nesta terça-feira, 30 de dezembro.
De acordo com o boletim oficial, a elevação do nível dos rios Acre, Purus e Tarauacá levou o governo estadual a decretar situação de emergência de nível 2 nos municípios de Feijó, Plácido de Castro, Rio Branco, Santa Rosa do Purus e Tarauacá. O decreto, assinado pela governadora em exercício, Mailza Assis, tem validade de 180 dias e foi publicado em edição extra do Diário Oficial do Estado. A medida permite a mobilização de recursos e a adoção de procedimentos administrativos para atendimento das populações atingidas pelas inundações.
Na capital, o Rio Acre ultrapassou a cota de transbordo de 14 metros no sábado, 27, e chegou a 15,35 metros na medição das 9h desta terça-feira. O monitoramento estadual indica comportamentos distintos ao longo da bacia, com pontos em elevação, estabilidade ou declínio, incluindo Rio Branco, Porto Acre, Tarauacá, Feijó e Plácido de Castro, enquanto outras localidades apresentam redução gradual dos níveis. Apesar da ausência de chuvas significativas nas últimas medições da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais mantém a classificação de alto risco hidrológico para a continuidade das inundações na região de Rio Branco.
O impacto social da cheia já atinge, segundo o levantamento estadual, pelo menos 758 pessoas, distribuídas em 241 famílias. Desse total, 443 pessoas, de 153 famílias, estão desabrigadas e acolhidas em oito abrigos mantidos pelo Estado, enquanto outras 315 pessoas, de 88 famílias, encontram-se desalojadas e hospedadas em casas de parentes ou amigos. As equipes estaduais realizam visitas aos abrigos, monitoramento das famílias e articulação permanente com os serviços de saúde e assistência social.
As ações de resposta são coordenadas pela Casa Civil e pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, com a participação de secretarias estaduais, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, órgãos de infraestrutura, saúde, educação e assistência social, além de autarquias responsáveis por água, energia e logística. O governo informou que novas estruturas de acolhimento poderão ser abertas caso haja ampliação do número de famílias afetadas.
Como parte das orientações à população, o boletim reforça que situações de risco, necessidade de resgate ou retirada de famílias devem ser comunicadas ao Corpo de Bombeiros pelo telefone 193, enquanto ocorrências relacionadas à segurança pública podem ser encaminhadas à Polícia Militar pelo 190. A concessionária de energia orienta que moradores de áreas atingidas não tentem realizar reparos na rede elétrica e utilizem apenas os canais oficiais para comunicação de riscos.
A divulgação diária do boletim da enchente foi iniciada para garantir transparência e atualização constante das informações, diante da rápida evolução do cenário hidrológico. O governo estadual informou que os dados podem sofrer alterações ao longo do dia e que o monitoramento permanecerá ativo enquanto persistir o risco de inundação nos municípios afetados.