O prefeito Alysson Bestene ampliou nesta semana a força-tarefa montada pela Prefeitura de Rio Branco para responder às enxurradas que atingiram a Baixada da Sobral e outros bairros da capital, combinando ações emergenciais de assistência às famílias com a preparação de obras de drenagem para reduzir a repetição dos alagamentos. A prefeitura informou que a operação já alcança 12 bairros e atende cerca de 1.500 famílias, com equipes em campo para limpeza, retirada de entulho e monitoramento de áreas de risco.
Em visita técnica à região mais afetada, Bestene afirmou que a resposta imediata não vai se limitar à remoção de lama e ao suporte pontual aos moradores. “Não queremos apenas limpar a lama; queremos resolver a causa. Estamos unindo o imediato — que é a comida no prato e o móvel em casa — com o futuro, que é uma infraestrutura capaz de suportar o volume de águas da nossa região”, disse o prefeito, ao defender intervenções estruturais como eixo central do plano para a Baixada da Sobral.
A estratégia anunciada pela gestão inclui limpeza mecanizada de igarapés, retirada contínua de sedimentos e elaboração de projetos de engenharia voltados a pontos considerados históricos de alagamento. O objetivo, segundo a prefeitura, é aproveitar o período de estiagem para acelerar a execução das obras e chegar ao próximo inverno com medidas mais robustas de contenção e escoamento.
A atuação emergencial ficou concentrada na desobstrução de ruas e canais e na remoção de resíduos que comprometem o fluxo da água. Na Baixada da Sobral, a Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade informou a retirada de cerca de 100 toneladas de entulho em duas semanas, com equipes trabalhando diariamente. “Esse é um trabalho permanente. Só nas últimas duas semanas já retiramos mais de 100 toneladas de entulho. As equipes estão atuando de domingo a domingo”, afirmou o secretário Tony Roque.
No atendimento às famílias, a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos informou a ativação do Projeto Recomeço para reposição de móveis essenciais a moradores que perderam bens, além do uso de instrumentos como o Cartão do Bem e auxílio-moradia para casos de maior vulnerabilidade. “Estamos em busca ativa desde o primeiro momento. Nossa prioridade é garantir que ninguém fique desamparado, utilizando ferramentas como o Cartão do Bem e o auxílio moradia para os casos de maior vulnerabilidade”, disse o secretário Ivan Ferreira.
A prefeitura também abriu uma rodada de escuta com lideranças comunitárias de 12 bairros atingidos para mapear demandas e alinhar medidas emergenciais. Na reunião, o secretário de Infraestrutura e Mobilidade Urbana, Cid Ferreira, afirmou que parte das providências será levada ao Ministério Público do Estado, com encaminhamentos sobre ocupações irregulares em áreas de preservação permanente, apontadas como fator que agrava os alagamentos ao estreitar o caminho da água. “A solução está sendo construída junto com a comunidade. Precisamos também do apoio do Ministério Público para avançar em questões como construções irregulares, que acabam impedindo o fluxo da água”, disse.
Entre os relatos apresentados, o bairro João Paulo apareceu como um dos mais impactados. O presidente da comunidade, Everton Rodrigues, cobrou a conclusão de uma terceira galeria de drenagem e afirmou que o problema se repete a cada chuva forte. “Foi um caos. Praticamente todas as casas foram atingidas. Em qualquer chuva mais intensa, a água já entra nas residências”, declarou.
Com a força-tarefa mantida em campo e novas reuniões previstas para consolidar um plano de ação, a gestão municipal aposta na combinação de limpeza contínua, assistência direta às famílias e obras de drenagem durante a estiagem como caminho para reduzir perdas materiais e o risco de novos alagamentos na Baixada da Sobral e em áreas vulneráveis de Rio Branco.