A 8ª edição do Festival Atsa Puyanawa começou neste sábado, 18 de julho, na Terra Indígena Puyanawa Barão Ipiranga, a cerca de 25 quilômetros do centro de Mâncio Lima, reunindo lideranças indígenas, moradores da comunidade, estudantes, autoridades e visitantes do Brasil e do exterior em uma programação voltada à valorização da ancestralidade, da resistência e do fortalecimento cultural do povo Puyanawa.
Criado em 2016, o festival se consolidou como uma das principais celebrações indígenas do Acre. Atsa significa macaxeira, alimento tradicional associado à fartura, à união e à continuidade da vida. A programação segue até 23 de julho, com danças, cantos, pinturas corporais, grafismos, culinária típica, artesanato, jogos indígenas, medicina tradicional, trilhas, banhos de igarapé e vivências espirituais.
Na abertura, a entrada das lideranças e da comunidade marcou o início das atividades e reforçou a trajetória de reconstrução cultural do povo Puyanawa, que recuperou rituais, cantos, grafismos, práticas tradicionais e elementos da língua após décadas de perdas impostas ao longo da história.
O cacique Joel Puyanawa afirmou que o festival representa a continuidade de uma luta coletiva. “Conseguimos revitalizar aquilo que parecia perdido. Foi muita luta, muito trabalho, mas a nossa história nos deu força, sabedoria e dignidade”, disse. Para ele, a celebração também apresenta às novas gerações e aos visitantes a história de um povo que transformou resistência em fortalecimento cultural.
A edição de 2026 homenageia Mário Mãpa Puyanawa, primeiro cacique da Terra Indígena Puyanawa e uma das lideranças indígenas de maior reconhecimento no Acre. Ele morreu em 2020, vítima da Covid-19. A filha dele, Vari Puyanawa, afirmou que a comunidade mantém vivo o legado deixado pelo pai. “Nós sofremos, resistimos e hoje seguimos mais fortes graças à energia e ao exemplo que ele deixou”, declarou.
A história recente do povo Puyanawa teve um marco em 2000, com a consolidação da demarcação da Terra Indígena Puyanawa. No mesmo período, a comunidade realizou uma grande celebração cultural pela conquista do território e iniciou uma nova etapa de fortalecimento da identidade tradicional. Após 17 anos como cacique, entre 1983 e 2000, Mário Mãpa Puyanawa transmitiu a liderança ao filho Joel Puyanawa, conhecido tradicionalmente como Xanāybu Divake.
O festival também movimenta o turismo e a economia de Mâncio Lima. O prefeito Zé Luiz afirmou que o crescimento da participação de visitantes mostra a força do município como destino cultural e turístico. “As pessoas já se organizam para conhecer Mâncio Lima, visitar a Serra do Divisor e participar do Festival Atsa Puyanawa. Esse é o caminho para fortalecer a economia através do turismo”, disse.
A secretária de Estado dos Povos Indígenas, Francisca Arara, afirmou que a organização social e cultural dos Puyanawa fortalece a presença dos povos originários no Acre. Ela citou as vestimentas, danças, pinturas, cantos, culinária e grafismos como expressões de uma cultura em processo permanente de valorização.
Até o encerramento, centenas de visitantes devem passar pela Terra Indígena Puyanawa Barão Ipiranga para acompanhar a programação e conhecer práticas tradicionais, conhecimentos ancestrais e experiências comunitárias ligadas à memória, à espiritualidade e à organização do povo Puyanawa.
Fonte e foto: Prefeitura de Mâncio Lima.