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Economia e Industria

Nova bactéria ligada ao ‘mal do olho’ em bovinos é identificada por pesquisadores

Uma nova espécie de bactéria associada à ceratoconjuntivite infecciosa bovina, doença conhecida no campo como “mal do olho”, foi identificada por pesquisadores da Embrapa em parceria com instituições de pesquisa. O microrganismo recebeu o nome de Moraxella tarda e foi encontrado em bovinos da raça Hereford que apresentavam sinais iniciais da enfermidade.

As amostras foram coletadas inicialmente na Embrapa Pecuária Sul, no Rio Grande do Sul, durante trabalhos realizados com animais da raça Hereford. A bactéria chamou a atenção dos pesquisadores porque apresentava características diferentes das espécies de Moraxella já relacionadas à doença.

A partir das primeiras análises, o microrganismo passou por testes bioquímicos, fisiológicos e genômicos. O trabalho envolveu também laboratórios da Embrapa Gado de Leite, em Minas Gerais, e da Embrapa Gado de Corte, em Mato Grosso do Sul.

Os resultados permitiram confirmar que a bactéria não correspondia às espécies já conhecidas, como Moraxella bovis e Moraxella bovoculi. Para o reconhecimento formal da nova espécie, amostras foram depositadas em coleções de microrganismos no Brasil e no exterior, procedimento necessário para a classificação científica.

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Uma das diferenças observadas está no tempo de crescimento em laboratório. Enquanto outras bactérias do mesmo gênero podem apresentar colônias visíveis em cerca de 24 horas, a Moraxella tarda demora aproximadamente 48 horas. A característica está relacionada ao nome escolhido pelos pesquisadores.

A descoberta amplia o conhecimento sobre os microrganismos encontrados em bovinos acometidos pela ceratoconjuntivite infecciosa. A presença da nova espécie em animais com sintomas, porém, não significa que ela seja sozinha responsável pelo desenvolvimento da doença. Novos estudos serão necessários para determinar seu papel na infecção e sua interação com outras bactérias.

A ceratoconjuntivite infecciosa bovina provoca inflamação nos olhos, lacrimejamento, dor e lesões na córnea. Quadros mais graves podem comprometer a visão dos animais. A doença também pode afetar o desempenho do rebanho, já que animais com dor ou dificuldade para enxergar podem reduzir o consumo de alimentos e apresentar menor ganho de peso.

Bezerros e animais jovens estão entre os mais atingidos. A ocorrência da enfermidade também exige atenção dos produtores com manejo, tratamento e prevenção, principalmente em rebanhos mais suscetíveis.

A identificação de uma nova espécie de Moraxella também abre caminho para pesquisas voltadas ao controle da doença. Uma das frentes envolve o desenvolvimento e o aperfeiçoamento de vacinas capazes de oferecer proteção contra diferentes bactérias relacionadas à ceratoconjuntivite.

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Outra linha de pesquisa estuda a resistência genética dos bovinos. Trabalhos com animais Hereford criados no bioma Pampa já avaliaram características que podem tornar determinados indivíduos menos suscetíveis à doença, informação que pode ser usada em programas de melhoramento genético.

Os pesquisadores também pretendem aprofundar os estudos sobre a ação das bactérias nos tecidos oculares. Entre as técnicas utilizadas está o cultivo de córneas bovinas em laboratório, método que permite observar a interação dos microrganismos com o tecido sem provocar a infecção experimental de animais vivos.

A partir dessas pesquisas, a expectativa é ampliar o conhecimento sobre a ceratoconjuntivite bovina e criar novas possibilidades para prevenção, diagnóstico e controle da doença nos rebanhos.

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