Pesquisadores brasileiros colocaram em operação uma ferramenta digital que ajuda produtores a decidir o melhor momento de agir contra a ferrugem asiática da soja, doença que pode derrubar a produtividade quando avança sem controle. O sistema roda em nuvem, cruza inteligência artificial com dados climáticos, informações agronômicas e imagens digitais das plantas, calcula o risco de ocorrência e entrega relatórios com recomendações práticas de manejo para uso direto na fazenda.
A plataforma reúne leituras de sensores ambientais, registros de campo e fotos das folhas, além de parâmetros como cultivar, espaçamento e época de semeadura. O produtor acompanha tudo em um painel on-line com séries temporais de clima e imagens, o que permite observar a evolução das condições favoráveis ao fungo e ajustar a estratégia antes que a doença se espalhe.
No núcleo do modelo, a ferramenta combina variáveis que influenciam o desenvolvimento do patógeno, como molhamento foliar e umidade elevada, e transforma o resultado em uma classificação de favorabilidade em três faixas — baixa, média e alta — para orientar a tomada de decisão no manejo. “A tecnologia classifica a favorabilidade da doença em três níveis, baixo, médio e alto”, afirmou Ricardo Alexandre Neves, cientista da computação responsável pelo trabalho no doutorado na Universidade Federal de São Carlos, desenvolvido sob orientação de Paulo Cruvinel, pesquisador da Embrapa Instrumentação.
A ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, tem alta capacidade de dispersão e, por isso, costuma exigir resposta rápida. Além do risco agronômico, a doença pressiona o bolso do produtor: o controle químico encarece a safra e o uso repetido de fungicidas aumenta a preocupação com resistência. “Para livrar uma plantação da ferrugem asiática, podem ser necessárias aplicações excessivas. Isso causa danos ao meio ambiente e aos agricultores, pois impacta os custos de produção”, disse Cruvinel.
A expectativa é que a adoção de sistemas desse tipo ajude a antecipar intervenções, reduzir aplicações desnecessárias e elevar a precisão do manejo, num cenário em que a soja segue no centro da economia agrícola brasileira e a ferrugem continua entre as principais ameaças sanitárias da cultura.