Connect with us

Saúde

Ministério da Saúde mira eliminação da malária no Norte até 2035 e cobra aceleração das ações no Juruá

O Ministério da Saúde fixou 2035 como prazo para eliminar a transmissão autóctone de malária no Brasil e colocou a Região Norte no centro da estratégia, com pressão para acelerar resultados no Acre. A meta foi reforçada nesta terça-feira (24), em Cruzeiro do Sul, durante a Oficina Regional para Implementação da Política Nacional de Vigilância em Saúde (PNVS) da terceira regional de saúde, que reúne municípios do Vale do Juruá e inclui Guajará, no Amazonas.

Representando a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, o consultor especial Luiz Augusto Facchini afirmou que a queda registrada nos últimos anos abre espaço para avançar mais rápido, mas não no ritmo necessário para garantir o cronograma. “Ainda estamos aquém da meta, mas temos oportunidade de poder superar esses desafios. A expectativa é que até 2035 se possa eliminar a malária aqui na região Norte, aqui na região da terceira regional de saúde do Acre, com um trabalho muito articulado”, disse.

O plano nacional estabelece marcos intermediários para sustentar a redução e evitar retomadas: a projeção é chegar a 2025 com menos de 68 mil casos autóctones no país, reduzir para menos de 14 mil até 2030, zerar mortes por malária até 2030 e eliminar a transmissão por Plasmodium falciparum até 2030, antes do objetivo final de eliminar a doença até 2035. Na prática, o desenho prevê uma transição em que os anos finais concentrem, quando houver, apenas transmissão por Plasmodium vivax, espécie predominante na região amazônica.

No Acre, os números recentes apontam recuo na circulação da doença, mas com sinais de instabilidade que exigem vigilância contínua. Dados do sistema nacional de notificação usados pela gestão estadual mostram que, entre 2020 e 2024, os casos autóctones caíram 52,7%, de 11.619 para 5.498 registros. No recorte de 1º de janeiro a 15 de abril de 2025, foram notificados 1.355 casos autóctones. A Secretaria de Estado de Saúde informou que, em março de 2025, recebeu equipe técnica do Ministério da Saúde, incluindo o coordenador nacional de eliminação da malária, Alexander Vargas, para discutir estratégias e ações emergenciais, com foco em interrupção de transmissão e resposta rápida em áreas de risco.

Advertisement

Durante a oficina no Juruá, Facchini vinculou a meta de eliminação à integração entre vigilância e rede assistencial, com efeito direto sobre o tempo entre sintoma, diagnóstico e início do tratamento, considerado decisivo para interromper cadeias de transmissão. Ele também citou que o mesmo modelo de organização fortalece a resposta a outras doenças transmitidas por vetores. “Esse trabalho, quando articulado entre as vigilâncias e a atenção à saúde, também proporciona não só o enfrentamento da malária, mas o enfrentamento das arboviroses, da dengue especialmente”, afirmou.

A aposta do Ministério da Saúde no Vale do Juruá é consolidar a queda sem perda de capacidade de detecção, mantendo testagem, tratamento oportuno, busca ativa e ações de campo em localidades mais vulneráveis e em áreas de circulação intensa. O desempenho dessa engrenagem local tende a definir se o Acre e a Região Norte conseguem chegar a 2035 com transmissão autóctone interrompida e com redução duradoura de internações e pressão sobre a rede pública.