O governo federal lançou neste sábado, 30 de maio, a plataforma Tela Brasil, um serviço público e gratuito de streaming voltado ao audiovisual brasileiro. A estreia ocorreu na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, com um catálogo inicial de 555 obras nacionais e acesso integrado ao Gov.br.
A proposta é ampliar a circulação da produção brasileira e democratizar o acesso à cultura, com filmes e séries sob demanda. No lançamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a plataforma pode reforçar a soberania cultural do país e criticou a predominância de conteúdo estrangeiro nas telas. O projeto recebeu investimento de R$ 9 milhões entre 2024 e 2025.
O acervo inaugural reúne obras financiadas pelo Fundo Setorial do Audiovisual e títulos preservados por instituições do Sistema MinC, como Cinemateca Brasileira, CTAv, Funarte e Fundação Cultural Palmares. O catálogo cobre produções de 1910 a 2025 e foi organizado para contemplar diferentes recortes, como cinema negro, cinema indígena, obras dirigidas por mulheres e temas ligados à justiça climática e à sustentabilidade.
Na largada, a plataforma reúne 267 curtas-metragens, 139 longas, 85 médias-metragens ou telefilmes e 64 obras seriadas. Entre os títulos anunciados estão A Hora da Estrela, Xica da Silva, Central do Brasil, Cidade de Deus, Deus e o Diabo na Terra do Sol, Carandiru e Olga. O catálogo inicial também inclui 19 filmes que já representaram o Brasil na disputa pelo Oscar.
A acessibilidade foi colocada no centro do projeto. Todos os títulos selecionados por edital público contam com audiodescrição, legendagem descritiva e interpretação em Libras. A plataforma estreia primeiro no navegador de computadores, com opção de transmissão para smart TVs, e os aplicativos para Android e iOS devem ser liberados em até 30 dias.
O serviço terá dois perfis de uso. No Perfil Cidadão, qualquer pessoa com conta ativa no Gov.br poderá acessar gratuitamente filmes, séries e documentários e montar uma lista de favoritos. Já o Perfil Direcionado foi desenhado para exibições coletivas e sem fins comerciais em escolas, cineclubes, pontos de cultura, bibliotecas e museus. No mesmo evento, o Ministério da Cultura também assinou um acordo com a TV Brasil para ampliar a oferta de conteúdo dentro da nova plataforma.