O governo do Acre e representantes do Peru formalizaram um acordo de cooperação internacional entre a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Acre e a Zona Especial de Desenvolvimento (ZED) de Ilo, com a proposta de integrar regimes aduaneiros especiais e criar um corredor de escoamento e abastecimento com acesso ao Oceano Pacífico. A assinatura ocorreu na quinta-feira, 19 de fevereiro, durante encontro da Aliança Bioceânica, e foi apresentada como uma etapa de articulação logística ligada à rota interoceânica.
A iniciativa coloca a ZPE acreana como ponto de apoio para empresas interessadas em exportar e importar usando portos do sul do Peru. O secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre, Assurbanípal Mesquita, esteve em Ilo na sexta-feira, 21, para visitas técnicas e reuniões com empresários locais, em agenda voltada ao funcionamento da ZED e à operacionalização do fluxo de mercadorias entre os dois países.
Nas tratativas, o Centro de Estudos da Universidad de la Calle participou por meio do membro regional Reinaldo Cordova, citado como articulador entre universidades, governo e setor privado. Ele defendeu que o diálogo de integração avance para outros atores da região andina e do Centro-Oeste brasileiro: “Vimos que essa aliança pode ser estendida a outros espaços, com o governo do norte do Chile. Com o apoio do meio acadêmico criaremos o espaço de diálogo e integração que não se encerra no Sul do Peru, juntos podemos integrar os estados do Acre, Rondônia, Mato Grosso e o governo do Norte do Chile”.
A ZED de Ilo foi apresentada como área conectada à Rodovia Interoceânica Sul, com ligação entre o território peruano e o Brasil, tendo o Porto de Ilo como referência e proximidade com o Porto de Matarani. A avaliação do governo acreano é que essa estrutura abre alternativa de transporte para cargas com destino ao Pacífico e, a partir dali, a rotas marítimas de longo curso.
Assurbanípal Mesquita afirmou que a meta é encurtar prazos e custos de circulação de mercadorias e insumos. “Estamos construindo uma ponte real para o desenvolvimento. A integração entre a ZPE Acre e a ZED de Ilo permite que o empresário acreano olhe para o Pacífico não mais como um horizonte distante, mas como uma rota viável e competitiva. Nossa missão é reduzir o ‘Custo Brasil’, encurtando o tempo de trânsito para a Ásia e barateando o frete de insumos essenciais”, disse.
O acordo foi detalhado como um mecanismo de suporte técnico e logístico para empresas instaladas na ZPE do Acre utilizarem portos peruanos, com expectativa de impacto sobre a competitividade de produtos citados pelo governo, como proteína animal, madeira, café, castanha e grãos. No mesmo pacote, a cooperação foi associada à facilitação de entrada de máquinas, equipamentos e fertilizantes, com redução da dependência de portos do Sudeste e do Sul do Brasil para parte das operações do setor produtivo.
Do lado peruano, o desenho prevê integração produtiva, intercâmbio de tecnologia e possibilidade de consolidação de cargas em território do Peru, conectando operadores e empresas ao eixo rodoviário e portuário de Ilo. Mesquita afirmou que a ZPE passará a ser apresentada como ambiente de negócios ancorado em logística e atração de investimentos: “A ZPE Acre entra em uma nova fase. Com essa parceria, passamos a oferecer um ambiente de negócios onde a logística é o diferencial. Queremos atrair novos investimentos que vejam no Acre a porta de saída natural para o mercado global”.
A agenda anunciada inclui missões comerciais e rodadas de negócios entre empresários brasileiros e peruanos, com expectativa de aumento do fluxo de mercadorias no eixo Peru–Brasil nos próximos meses. Na avaliação do governo estadual, a medida busca posicionar o Acre em uma rota de integração sul-americana, com efeitos esperados sobre emprego, renda e cadeias produtivas ligadas a exportação e logística.