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Saúde

Saúde na Floresta inverte o caminho e leva equipe médica a 22 famílias isoladas no Parque Chandless

Em vez de exigir que moradores enfrentem dias de deslocamento para conseguir uma consulta, o Programa Saúde na Floresta colocou profissionais e estrutura de atendimento dentro do Parque Estadual Chandless, no interior do Acre, e alcançou 22 famílias que vivem na unidade de conservação, cerca de 80 pessoas. A ação ocorreu neste sábado (11 de abril de 2026), após mais de oito horas de viagem pelo rio Purus até uma das regiões mais isoladas do estado, a aproximadamente 220 quilômetros de Manoel Urbano.

A operação reuniu as secretarias de Meio Ambiente (Sema) e de Saúde (Sesacre), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Prefeitura de Manoel Urbano, com apoio do Corpo de Bombeiros Militar do Acre e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). No local, a equipe fez consultas, vacinação e exames laboratoriais e distribuiu kits de cuidados pessoais doados pela Natura. Também houve atendimento veterinário, com vacinação de cães e gatos.

A gestora do parque, Jomara Katrine Vitoriano, afirmou que a presença do Estado dentro da floresta amplia o acesso a direitos para quem vive distante da rede regular de serviços. “Levar saúde até essas famílias é reconhecer as especificidades de quem vive na floresta. São pessoas que enfrentam grandes distâncias e desafios logísticos para acessar atendimentos simples. Quando o poder público chega até elas, estamos reduzindo desigualdades e fortalecendo a permanência dessas comunidades em seus territórios”, disse.

Entre os moradores atendidos, a dona de casa Rosilene Souza contou que uma edição anterior do programa, em dezembro do ano passado, foi decisiva para iniciar o tratamento de um problema no útero e viabilizar o encaminhamento para cirurgia. “Consegui fazer meu tratamento e estou me recuperando bem. Só tenho a agradecer ao programa Saúde na Floresta. Também quero destacar o apoio que recebi da Sema, que teve um papel muito importante nesse processo, principalmente no transporte daqui do Chandless até Rio Branco”, afirmou.

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Pela Sesacre, a ação incluiu clínica geral e infectologia e a realização de exames laboratoriais. A chefe da Divisão de Saúde Itinerante, Rosemary Ruiz, disse que a estratégia foi levar o atendimento para onde a população está. “Hoje fizemos o caminho inverso: levamos os profissionais até a população. Essa é uma preocupação da nossa governadora e do nosso secretário de Saúde, para garantir mais dignidade e assistência a quem vive em locais tão distantes, onde a oferta desses serviços é mais difícil”, declarou.

A Fiocruz participou com consultas pediátricas, exames laboratoriais e assistência veterinária. O pediatra Felipe Costa afirmou que a mobilização também integra uma cooperação voltada ao estudo da circulação de patógenos entre pessoas e animais silvestres dentro do parque. “Essa iniciativa integra uma cooperação entre a Fiocruz e o governo, voltada ao estudo da circulação de patógenos entre pessoas e animais silvestres dentro do parque, mas que também se traduz em atendimento concreto à comunidade”, disse.

A Prefeitura de Manoel Urbano levou serviços da atenção primária, como aferição de sinais vitais, testes rápidos, atendimento odontológico, distribuição de medicamentos, vacinação e assistência social para cadastro e atualização do Bolsa Família, além de vigilância epidemiológica e aplicação de vacina antirrábica. O prefeito Raimundo Toscano afirmou que a parceria ajudou a atender moradores com dificuldade de acesso ao município. “Essa iniciativa vem para ajudar moradores que tanto precisam, especialmente por conta das dificuldades de acesso até o município”, disse.

Ao todo, a ação contabilizou 427 atendimentos: 51 consultas médicas, 205 exames laboratoriais, 51 atendimentos de enfermagem, 33 prescrições de medicamentos, 32 testes rápidos, 8 atendimentos odontológicos e 47 vacinações. Criado em 2 de setembro de 2004, o Parque Estadual Chandless tem mais de 690 mil hectares e mantém 99,96% da cobertura florestal preservada; as famílias que vivem na área dependem da caça, pesca e agricultura de subsistência, e a presença periódica de equipes itinerantes reduz a distância entre esses moradores e serviços básicos de saúde e proteção social.

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