O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente nesta segunda-feira, 8, a aplicação da vacina Butantan-DV contra a dengue após o registro de 42 eventos adversos graves e a investigação de duas mortes ocorridas depois da imunização. A interrupção foi adotada como medida de precaução enquanto autoridades sanitárias analisam se há relação entre os casos e a vacina.
A decisão atinge uma estratégia que vinha sendo colocada em prática com profissionais da atenção primária e em municípios incluídos na fase inicial da campanha. Cerca de 500 mil doses já haviam sido aplicadas desde o começo da vacinação, segundo o governo federal.
A pasta afirma que ainda não há conclusão sobre vínculo direto entre o imunizante e os episódios mais graves, mas optou por interromper o uso até o fim da apuração. O objetivo agora é revisar os registros, acompanhar a evolução dos pacientes e verificar se os casos têm relação causal com a aplicação da dose ou se ocorreram apenas no mesmo período.
A suspensão não muda a vacinação contra a dengue já mantida pelo SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos com outro imunizante disponível na rede pública. A medida se concentra na Butantan-DV, desenvolvida no Brasil e aprovada para pessoas de 12 a 59 anos como parte da aposta do governo em ampliar a proteção contra a doença com dose única.
O freio na campanha ocorre num momento em que o país tenta reforçar a resposta à dengue depois de sucessivas ondas de casos e de pressão sobre a rede pública de saúde. O Instituto Butantan informou que acompanha a investigação e mantém cooperação com os órgãos responsáveis pela análise dos eventos notificados.